O "pé esquerdo" das havaianas
Por Silvio da Costa Bringel Batista*
O "Pé Esquerdo" das Havaianas: A Falta Gravíssima que Incendeia o Natal e Revela o Autoritarismo do "Lacre"
O Brasil de 2025 carrega uma fadiga social profunda. Após anos de uma polarização que fragmentou lares e silenciou grupos de amigos, o cidadão comum esperava que o “período de festas”fosse, finalmente, um território de trégua e renovação espiritual. No entanto, a nova campanha publicitária da Havaianas, protagonizada pela atriz Fernanda Torres, decidiu seguir pelo caminho da desconstrução. Ao transformar o Natal em um palanque para o conflito eleitoral de 2026, a marca cometeu o que já se pode chamar de "vilania publicitária": a instrumentalização de uma data sagrada para alimentar uma disputa política sádica.
DITATORIAL: O "EU NÃO QUERO QUE VOCÊ..."E A ORDEM DISFARÇADA DE DESEJO
Um dos pontos mais perturbadores da peça publicitária é o tom utilizado pela narrativa. A expressão "Eu NÃO quero", vinda da protagonista, carrega uma carga semântica que vai além da preferência pessoal; ela transmite uma ordem ou uma proibição direta, sutilmente disfarçada de declaração de desejo.
Este é o reflexo nítido do sistema ditatorial que tem se tornado a marca de certos setores da esquerda: a imposição de como as pessoas devem se comportarchegou ao absurdo de ditar em que "pé" as pessoas não devem entrar o ano. Não se trata de um diálogo com o consumidor, mas de um decreto comportamental. Essa postura de ditar as regras do pensamento e comportamento alheio revela um movimento que não aceita o contraditório e busca, a todo custo, moldar a sociedade à sua imagem e semelhança, atropelando a liberdade individual.
No contexto do Natal, essa "ordem" soa como uma profanação. Enquanto o Messias convida - "Vinde a Mim, todos os que estão cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei” (Mateus 11:28) " - a propaganda de esquerda exige e impõe, substituindo o mais preciso convide do Criado, pelo determinismo ideológico que deseja impor uma batalha visando a famigerada ambição de controlar os outros e ser socialmente proeminente.
O "CARRINHO VOADOR" NA PUBLICIDADE
A agressividade da campanha se revela também na escolha da metáfora esportiva. Ao exigir que as pessoas entrem o ano com os "dois pés", a marca evoca a ação mais violenta do nosso futebol. No esporte, uma entrada com os dois pés em um adversário é uma ação imprudente, arriscada e, acima de tudo, violenta. É uma falta gravíssima que visa atingir o oponente, resultando em expulsão imediata e cartão vermelho direto.
Ao transpor essa linguagem para o ambiente doméstico no Natal, a publicidade comete um ato falho e confessa sua intenção: entrar o ano com os "dois pés", não se trata de caminhar com equilíbrio, mas de desferir um "carrinho voador" na harmonia familiar. A marca não quer que o brasileiro caminhe; ela quer que ele nocauteie quem pensa diferente.
DA TELA PARA O LIXO: A REAÇÃO DAS FAMÍLIAS
O impacto dessa postura autoritária gerou uma reação visceral e física. Horas após o lançamento da campanha, as redes sociais foram inundadas por vídeos de consumidores revoltados. As imagens de pais cortando com tesouras as sandálias dos filhos, pessoas jogando chinelos novos no lixo e presentes sendo arrancados das árvores de Natal são o atestado de óbito de uma estratégia que subestimou o limite emocional do brasileiro.
Essa reação ecoa o alerta bíblico de Romanos 16:17: "Rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles." O consumidor, cansado de ser massa de manobra, aplicou a regra do jogo de futebol: se a marca entrou com os dois pés para dividir, o povo deu a ela o cartão vermelho.
O MERCADO RESPONDE: O TRIUNFO DA CONCORRÊNCIA
Como era de se esperar, o "tiro saiu pela culatra". Em um mercado regido pela livre iniciativa e pela soberania do consumidor, a tentativa de segregação ideológica gerou um efeito reverso imediato. Enquanto a Havaianas se perdia em decretos comportamentais, a sua principal concorrente, a Ipanema, viu sua força explodir nas redes sociais de forma orgânica. Às vésperas do Natal, momento ápice da troca de presentes, a marca concorrente virou uma verdadeira "febre nacional", tornando-se o refúgio de quem busca apenas um chinelo de qualidade, e não um manifesto político.
A IRONIA DO ABSURDO
O descolamento da realidade é tamanho que a situação beira o cômico. Diante da rejeição massiva e do isolamento da marca junto ao grande público, resta apenas uma saída para completar o cenário do absurdo: só falta agora o SBT - historicamente conhecido por sua comunicação popular e familiar -fazer propaganda para a Havaianas. Seria o ápice da contradição ver a emissora do "povo" tentando salvar uma marca que, no momento, parece desprezar os valores da maioria das famílias que assistem à sua programação.
A SUPERSTIÇÃO CONTRA A SOBERANIA DIVINA
A questão central para a fé cristã reside na atitude do coração e na confiança em Deus, em oposição à superstição do "pé direito". Enquanto a propaganda foca em crendices vazias para pautar o futuro do país, o cristianismo ensina que a segurança das pessoas reside na Providência Divina. Como afirma Provérbios 16:9: "O coração do homem traça o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos."
Rebaixar o primeiro advento do Messias a uma discussão política sádica é uma afronta ao sentido bíblico do Natal. O nascimento de Cristo, profetizado em Isaías 9:6, anuncia o "Príncipe da Paz" - o oposto da discórdia semeada por esta campanha“publicitária”. Este movimento de minar princípios bíblicos sagrados, trocando a manjedoura pelo palanque, é uma estratégia vil que ataca uma das datas mais importantes para os cristãos.
O VERDADEIRO NATAL: A MANJEDOURA CONTRA O PALANQUE
É preciso resgatar o que a publicidade tentou soterrar: o verdadeiro sentido do Natal não reside em "qual pé" usamos para entrar no ano, mas em QUEM veio ao mundo para dirigir os nossos passos. O Natal bíblico não é um manifesto de exclusão, mas o ápice da inclusão divina: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16).
Enquanto a campanha foca na segregação e no "lado certo", a manjedoura nos ensina sobre humildade e reconciliação. O nascimento de Jesus foi o anúncio da Paz na Terra para os homens de boa vontade, e não uma senha para o conflito. O Messias não veio para validar agendas políticas ou alimentar o ódio entre irmãos; Ele veio para derrubar a parede de separação e oferecer Redenção.
Ao trocar a celebração do Emanuel - O "Deus conosco" - por uma militância rasa, a marca ignora que o Natal é a memória da luz que brilha nas trevas. Onde a propaganda prega o "Eu não quero", o Evangelho prega o "Pai, perdoa-lhes". Reduzir o advento do Salvador a uma estratégia de marketing divisiva é mais do que um erro comercial; é uma tentativa de esvaziar o sagrado de sua essência transformadora.
CONCLUSÃO: O MESSIAS NÃO CABE EM UM PALANQUE
O Natal - como comemoração do nascimento de Jesus - merecia respeito. As famílias brasileiras não precisavam de uma multinacional e de uma elite artística ditando regras políticas sob o disfarce de modernidade. A Havaianas, que sempre pregou que "todo mundo usa", agora parece dizer que o Natal é apenas uma oportunidade de dividir para dominar.
Como diz a Escritura Sagrada em Romanos 12:2: "Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus. (Romanos 12:2). O Brasil não precisa de chinelos que promovam faltas gravíssimas contra o próximo ou ordens ideológicas disfarçadas de desejo; precisa de corações que compreendam que o Messias que nasceu na manjedoura é o único que traz a verdadeira paz -aquela que nenhuma propaganda pode comprar e nenhum sistema ditatorial pode calar.
(*) O autor é Cristão Evangélico, Doutorando em Teologia pelo Instituto Logos, Consagrado ao Ofício Diaconal pela Igreja Batista em Dom Pedro, Formado em Direito pela UFAM, Pós-Graduado em Direito Civil e Processo Civil, Procurador da Câmara Municipal de Manaus, Advogado, Presidente da Comissão da Advocacia Pública e Membro Titular da Comissão de Apoio Institucional à Gestão Pública da OAB/AM, Corretor de Imóveis, CAC, Antigomobilista, Apresentador do Podcast “Lei é Lei”, ex-Juiz Classista da Justiça do Trabalho, ex-Procurador-Geral da CMM, ex-Diretor-Geral da CMM, ex-Chefe da Consultoria Técnico-Legislativa e ex-Subsecretário Chefe da Casa Civil do Governo do Estado do Amazonas.
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