Turistas brasileiros ficam retidos no Monte Roraima após fechamento da fronteira com a Venezuela
Após o ataque dos Estados Unidos a Caracas e o consequente fechamento das fronteiras venezuelanas, dois grupos de brasileiros encontram-se retidos no Monte Roraima, a 2.810 metros de altitude. Embora a calmaria do platô contraste com o caos político na capital — situada a quase 1.500 km de distância —, a incerteza agora dita o ritmo da expedição. Com a descida prevista apenas para o início desta semana, os aventureiros dependem de uma janela diplomática cada vez mais estreita para garantir o retorno seguro ao território nacional.
A operação de retirada é um quebra-cabeça logístico agravado por restrições ambientais e políticas severas. Como a face brasileira do monte é intransponível, o único caminho de volta é pela trilha venezuelana. Sem a possibilidade de resgates aéreos, proibidos há anos na região, a segurança dos turistas repousa sobre a habilidade de negociação da vice-cônsul em Santa Elena de Uairén, Lisa-May. A diplomata informou à Folha de S. Paulo que já conseguiu coordenar a saída emergencial de cem brasileiros via WhatsApp, após acordo temporário, mas alerta que o corredor humanitário aberto com as autoridades de imigração locais é uma "exceção" com prazo de validade incerto.
Enquanto a agência Roraima Adventures monitora os guias via rádio e satélite, o clima na fronteira com o Brasil é de uma tensa espera. O transporte da base do monte até o limite entre os dois países depende de acordos diretos com a gestão do parque nacional venezuelano, que pode ou não autorizar o tráfego de veículos de resgate.
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