Empresas da família de Toffoli tiveram fundo ligado ao caso Master como sócio
Os irmãos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli venderam uma participação milionária no resort Tayaya, localizado em Ribeirão Claro, no Paraná, a um fundo ligado à Reag Investimentos, gestora investigada pela Polícia Federal no âmbito do caso Banco Master. O negócio envolveu empresas controladas por familiares do ministro e ocorreu antes da deflagração das principais operações policiais que miram a gestora e fundos a ela vinculados.
De acordo com documentos societários e reportagens já publicadas, o fundo Arleen, administrado pela Reag, chegou a investir cerca de R$ 20 milhões em duas empresas responsáveis pela administração do resort. Parte desses aportes contemplou companhias que tinham como sócios José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos do ministro, além de um primo. Dias Toffoli não figura formalmente como sócio, mas é frequentador do empreendimento.
O caso ganha relevância institucional porque o ministro é relator, no STF, do inquérito que investiga o Banco Master e estruturas financeiras associadas à Reag Investimentos. O processo chegou à Corte após pedido da defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco, para que o caso fosse analisado pelo Supremo. A Reag é investigada por supostamente abrigar fundos utilizados em esquemas de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal no setor de combustíveis.
Registros da Junta Comercial indicam que, em 2021, a empresa Maridt Participações, ligada aos irmãos de Toffoli, vendeu parte de suas quotas no resort ao fundo Arleen, em transações que somaram milhões de reais. Posteriormente, tanto os familiares do ministro quanto o fundo deixaram formalmente a sociedade, que hoje tem como único sócio um advogado goiano. O fundo Arleen, por sua vez, entrou em processo de liquidação após o avanço das investigações policiais.
Procurados pela imprensa, o ministro Dias Toffoli, seus familiares, representantes do resort e da Reag Investimentos não se manifestaram. Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o Banco Master não tem relação com fraudes, fundos ilícitos ou irregularidades citadas nas investigações, sustentando que a instituição não atuou como gestora ou cotista dos fundos investigados e que colabora com as autoridades para o esclarecimento dos fatos.
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