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Paulo Preto recebe tornozeleira e se compara a Lula durante audiência

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SÃO PAULO - Réu em processo sobre desvios de R$ 7,7 milhões em desapropriações das obras do trecho Sul do Rodoanel , o ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto , colocou tornozeleira eletrônica nesta terça-feira, na 5ª Vara Federal da capital paulista,seguindo determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) . Ao ser interrogado na ação penal durante a tarde, Paulo recorreu à retórica para negar as acusações e disse que embora não seja "santo", nunca ameaçou ninguém, nem sequer cometeu crise de fraude, roubo ou corrupção.

Apontado como operador de propinas do PSDB , Paulo Souza se disse vítima de injustiça, de perseguição da mídia, preconceito racial e se comparou ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele afirmou ainda que foi humilhado ao ser preso em regime fechado no presídio de Pinheiros e disse que tem um "exército de pelo menos 500 advogados" que querem defendê-lo.

- Não sou santo. Mas nunca ameacei ninguém. Jamais cometi fraude, corrupção ou algum roubo. Eu acho uma ofensa falarem em fraudes no Rodoanel Sul. Essa foi a obra de menor custo por metro quadrado desde Dom João Sexto - disse Souza, sem citar dados ou fontes que comprovassem a afirmação que fez. - Tem dois caras no Brasil: o Lula em Curitiba e eu aqui em São Paulo. Lula foi preso, eu fui preso. Lula vai depor, eu vou depor. Me tornaram 100 vezes mais importante do que sou.

O ex-diretor da Dersa desqualificou as acusações de que indicou babás e ex-funcionárias de seus parentes para serem beneficiados em reassentamento das obras do Rodoanel. Ele disse que entre os beneficiários atingidos pelos trabalhos também devem ter empregadas de "ministros", "procuradores", de "médicos" e "advogados".

O depoimento de Paulo levou mais de 4 horas. Num dos momentos mais tensos, o ex-diretor da Dersa apresentou versão diferente de sua filha, Tatiana Arana, também ré no caso, ao responder sobre a contratação de advogados para as babás de seus parentes. Primeira a falar, Tatiana disse que seu pai que "cuidou" dos advogados.

A defesa das ex-funcionárias dos acusados ficou a cargo do criminalista Daniel Bialski, amigo de longa data de Paulo Souza.

Ao ser questionado pelo Ministério Público Federal, Paulo Souza negou que exista um contrato formal firmado entre ele e o criminalista e disse que Bialski apenas aceitou o caso por ser "amigo da família".

- Não me lembro de ter pedido isso. Ele (Bialski) por ser meu amigo representou elas (as babás) como advogado.

Em maio, ao justificar a prisão de Paulo, a juíza Maria Isabel do Prado, que conduz os processos na 5ª vara federal, escreveu em seu despacho que uma das ex-funcionárias da família de Paulo Souza disse em depoimento em juízo que seus advogados foram pagos por Tatiana e que após a contratação dos defensores a testemunha acabou mudando o depoimento prestado em 8 de setembro de 2015 para versão favorável a Paulo Preto e sua filha em nova oitiva feita em 25 de agosto do ano passado.

"Não há razão para que uma ré, ciente da condição de investigada dela mesma e de seu pai desde 2015 2015, contratarem advogados para testemunhas chaves de investigação, a não ser para coagir no depoimento destas" escreveu a magistrada ao decretar a prisão preventiva de Paulo Souza e de sua filha, em maio.

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