Fábricas clandestinas em SP e Minas Gerais forneciam fuzis para o CV
A recente megaoperação contra o Comando Vermelho (CV) no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, resultou na maior apreensão de fuzis já registrada em uma única ação em favelas com ao menos 91 armas encontradas. A investigação revelou que boa parte desse arsenal vem de fábricas clandestinas em Minas Gerais e em São Paulo.
Imagens inéditas divulgadas pelo Fantástico mostram o funcionamento dessa estrutura criminosa. Segundo a Polícia Federal, Rafael Xavier do Nascimento transportava fuzis mensalmente de São Paulo para comunidades da Zona Norte do Rio e também para áreas controladas por milícias. Ele foi preso em flagrante transportando 13 fuzis.
O armamento era produzido em Santa Bárbara d’Oeste (SP), em uma fábrica que operava com equipamentos industriais de precisão. No local, a PF apreendeu cerca de 150 fuzis prontos e mais de 30 mil peças, suficientes para manter uma linha de montagem com capacidade anual de até 3.500 armas.
Entre os suspeitos também está Anderson Custódio Gomes, integrante do núcleo operacional da quadrilha. Ele e um comparsa foram presos com componentes suficientes para montar 80 fuzis, que seriam levados da fábrica para um depósito em Americana (SP).
A estrutura criminosa usava como fachada o CNPJ de uma empresa de peças aeronáuticas, registrada em nome do piloto de avião Gabriel Carvalho Belchior. Antes da operação da PF, realizada no início do mês passado, Gabriel deixou o país e foi para os Estados Unidos.
De acordo com as investigações, o piloto enviava fuzis desmontados dos EUA ao Brasil, escondidos em caixas de piscinas infláveis e outras mercadorias. As encomendas partiam de uma casa alugada por ele na Flórida, onde o material era preparado para envio. Em agosto, uma dessas remessas foi interceptada pela Receita Federal. Desde então, Gabriel está foragido e teve seu nome incluído na lista de procurados da Interpol.
Os investigadores calculam que a rede clandestina tenha fornecido cerca de mil fuzis para facções do Rio de Janeiro, além de grupos criminosos da Bahia e do Ceará.
A Polícia Civil do Rio agora realiza a perícia nos mais de 90 fuzis apreendidos na operação. Ao menos 25 deles são da plataforma AR-15, calibre 5.56, o mesmo tipo de armamento fabricado na unidade clandestina de Santa Bárbara d’Oeste.
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