Se consolo valesse...
O Presidente do Supremo Tribunal Federal, tentou implementar um código de conduta para os Ministros e para o Judiciário como um todo, em vão, não houve eco dos ministros, que acham ser realmente supremos. Mas se prestarmos atenção, as transgressões também passam por todos nós. É evidente, que na Suprema Corte não deveria haver transgressões.
Nós somos benevolentes e as vezes também praticamos algumas transgressões no nosso cotidiano, seja no estacionamento rapidinho em vaga de deficiente ou idoso, seja, no passar a mão na cabeça de quem transgrida a lei seja como for, enfim percebi que passamos do pecadilho a transgressão sem que haja por parte do ator o exercício da cidadania.
A prática mostra que as grandes iniquidades são a soma de pequenos pecadilhos que a sociedade releva, acostumando-se a conviver com eles e, até a aplaudi-los como espertezas dignas de serem imitadas. Sem qualquer laivo de moralismo, uma análise da sociedade brasileira hoje mostra que tal postura, leva ao longo dos anos a uma situação insustentável, de difícil correção a curto prazo, esgarçando o tecido social até chegar bem próximo ao ponto de ruptura das instituições.
As coisas começam no próprio governo central, estados e municípios, passa pelo Congresso Nacional, pelo Judiciário, mundo empresarial e entranha a sociedade civil nas suas várias camadas e classes. Se acoplarmos a isso o famoso jeitinho brasileiro entenderemos por que aqui no Brasil tem lei que pega, tem lei que não pega e a Constituição foi feita para inglês ver, a partir de seu preâmbulo que diz "serem todos os brasileiros iguais perante a lei ". Seria impossível listar os casos de desregramento hoje vigentes entre nós.
Desde a questão da emenda da reeleição do presidente (FHC), com a compra explícita de votos, passando pelo Congresso Nacional, repleto de marginais (anões do orçamento, sócios do mensalão, assassinos, traficantes de drogas, lobistas), entrando pelo Judiciário (sede do Tribunal do Trabalho em São Paulo, venda de sentenças, cálculos estapafúrdios de indenizações), acobertamento do rombo no sistema financeiro nacional com o dono do banco Master, perpassando os estados, permeando os municípios (desvios de verbas federais através de notas frias), todos em conluio total e irrestrito para assaltar a sociedade.
Mas não estamos sozinhos. Zibigniew Preisner, músico do diretor de cinema Krzystof Kieslowski (aquele do filme A Liberdade é Azul, com Juliette Binoche, do Paciente Inglês), desabafou: “Não posso viver em um país de mentiras, estúpido, paranoico, cheio de impunidade, falta de sensatez e onde os escândalos e enganos são maiores quanto mais alto se mirar”.
Se consolo valesse...
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