Barbas de molho?
Thomas Edison, o grande mago da eletricidade, engajou-se, no final do século XIX, numa custosa e inútil campanha contra a corrente alternada (que até hoje alimenta nossas casas, indústrias etc.), dizendo ser ela muito perigosa. Havia outra razão, é claro: ele vendia eletricidade em corrente contínua. Há, portanto, algo semelhante por trás da reação mundial com a invasão de Trump á Venezuela?
Por que a comoção com essa invasão”, maior até do que com o terremoto e o tsunami? Todos têm uma noção clara de que um terremoto, ou a erupção de um vulcão, ou a queda de um avião, têm o potencial de fazer vítimas fatais. A invasão e sequestro de um ditador também. Seriam essas vítimas, numa paráfrase a George Orwell, mais fatais que as outras? A reação do mundo ao problema com a invasão e sequestro do ditador Maduro (e, é bom que se diga, em menos de 10% deles), foi variada.
Os alemães, os franceses, chineses e russos líderes incontestáveis, disseram não apoiar a invasão. Os outros ficaram entre esses dois extremos. Quem está certo? Um ponto sobre o qual os críticos certamente têm razão é que não se sabe exatamente quais as consequências dessa invasão e sequestro. Mas é preciso que se diga que não se tem certeza absoluta sobre coisa alguma (exceto sobre a morte e os impostos, como dizia Benjamin Franklin).
O grande risco que se corre, neste momento, é o de se tomar uma atitude de longo prazo no meio de uma crise. Questiona-se, por exemplo, se é sensato mesmo com a invasão, ir contra Trump, afinal, o que Maduro fez com o povo venezuelano, foi terror, matança, desapropriação de bens de quem era contra o regime chavista. "Prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém", é o dito popular. Mas prudência não quer dizer abandonar coisas cujos riscos têm sido amplamente compensados pelos benefícios. Se assim fosse, o avião teria sido abandonado após o primeiro acidente, em 1908. "Quem vê as barbas do vizinho a arder, bota a sua de molho".
Antes, porém, é preciso ter barba. E ter certeza de que há fogo por perto.
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