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O que aconteceu conosco?


Por Flávio Lauria

04/01/2026 11h11 — em
Espaço Crítico



Começo o novo ano estarrecido! O que está acontecendo neste país? Por que os episódios se sucedem e se avolumam da maneira que presenciamos e não há quem os impeça? Por que aqueles que têm olhos não veem, nem leem; os que têm ouvidos não ouvem, e os que têm boca não falam? A toda hora afloram ocorrências graves, de interesse da nação que são banalizados, atenuados e até mesmo ridicularizados!...

Há uma sequência de fatos que demonstram desrespeito e desprezo tanto pelo Ministério Público como pelo cidadão comum. E tudo vai ficar por isso mesmo? Será que perdemos a capacidade de nos indignarmos? Onde estão os "caras pintadas"? Onde estão aqueles que deveriam gritar "Moralidade Já"? Onde estão aqueles que apregoavam a implantação da ética e da coerência neste país? Onde estão aqueles que lutaram pela moralização da política?

Encontraremos poucos, muitos (dos poucos) tiveram que romper com suas origens para não serem tragados pela cartilha vigente. Parece que os limites éticos e morais se tornaram elásticos demais. Tudo está relativizado e contextualizado na nossa sociedade. Os escândalos têm permeado o Judiciário, o Legislativo e o Executivo de todos os lados.

Não é privilégio de um ou de outro grupo, mas estão por ai e recebem diferentes denominações: Estou perplexo! A insegurança não está mais afeta às nossas idas e vindas a qualquer lugar, ela nos atinge até mesmo quando estamos em repouso dentro de nossas casas.

Surgem das máquinas que revelam dados sigilosos dos cidadãos comuns, dados estes que o estado brasileiro deveria se empenhar para manter velado e vetado, especialmente quando já se sabia que a documentação (procuração, assinatura e autenticação) que solicitava as informações era falsa.

Estamos todos, você e eu, sujeitos a sermos vigiados e ameaçados, mesmo que isto viole os nossos direitos constitucionais? Esta é uma grande pergunta. Estou triste! Onde está o cumprimento da promessa de dar oportunidade a todos os brasileiros? Se isto é uma verdade, a garantia desse penhor deve passar necessariamente pelo caminho da educação. Mas o que constatamos? Há vagas não preenchidas nas bolsas de emprego por falta de qualificação profissional. O que aconteceu conosco? Planejamos mal o nosso futuro? Somos um país de celulares e de analfabetos.

Ocupamos um dos piores postos de classificação em educação na esfera mundial. As pessoas saem das universidades e muitas são incapazes de ler um texto, entendê-lo e analisá-lo. Facilitamos o ensino. Não mais admitimos repetição de ano escolar. Mascaramos os resultados.

Lembro-me que, há algumas décadas, meditei muito sobre o slogan de incentivo à leitura: "Quem não lê: não fala, não ouve, não vê". Para onde foram as aulas de música nas escolas e as de Educação Moral e Cívica? Será que já somos um povo sensível o suficiente e civilizado o bastante para não precisarmos mais destes ensinamentos? Não quero me estender, nem me alongar mais. Outros aspectos da nossa sociedade hodierna poderiam ser refletidos aqui, mas acho que o que escrevi já foi o suficiente para manifestar o meu descontentamento e preocupação.

Quero encerrar, contudo, dizendo: estou esperançoso! Acredito que algo novo vai acontecer, que o gigante adormecido vai se levantar, que os valores que devem nortear uma sociedade justa, digna, fraterna e igualitária serão finalmente e definitivamente implantados em nosso país. Espero que as pessoas de bem e não as pessoas de "bens" governem nossa cidade, nosso estado, nossa nação. A elas ofereço, desde já, as minhas orações.

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