Educação vendida por ranking
Em pleno carnaval, vou falar sobre educação, que é aquilo que acredito move o mundo. O resultado da avaliação do curso de Medicina nas faculdades de Manaus, sendo avaliados quatro cursos, dois com nota 3 e dois com nota 1, ou seja, insatisfatório, leva-nos a repensar. Mas o que mostram os resultados é a educação vendida por ranking.
Embora importantes, os indicadores são meros referenciais. Evidente, que no curso específico de Medicina, tem que ter um hospital vinculado a instituição para a prática dos alunos. O produto ensino, como qualquer outro, tem que ser direcionado às pessoas, satisfazer suas necessidades, despertar suas qualidades, estimular potencialidades, instrumentalizar a realização profissional e pessoal.
A preocupação com o Enamed, leva algumas faculdades a se concentrarem essencialmente no resultado do exame. Outras se mantêm fiéis a seus projetos pedagógicos de formação humana. No fim, não há vencedores. O processo educativo não pode se desvincular da utilidade social, ou valores sociais agregados, o que incentivará a obtenção de resultados dirigidos ao bem-estar individual, base do bem comum, retrato do desenvolvimento do país.
O fato é que os ingênuos e os oportunistas de sempre, diante desses números, já estão pedindo um "choque redistributivo" com mais impostos e mais interferência direta do Estado. Esquecem-se de um pormenor: a carga tributária saiu de 24,6% do PIB, para 31,6% do PIB hoje, e continua subindo. Mas os efeitos para a distribuição de renda são absolutamente nulos. Má distribuição de renda é, sobretudo, má distribuição de educação.
O Brasil gasta 3,5% do PIB em educação, mais do que a Coréia do Sul, com 3%. Só que os coreanos usam 83,9% dessas verbas em instrução básica e 10,3% em ensino superior, enquanto nossos gastos, somadas as três instâncias de governo, são divididos meio a meio, sendo que 82% das verbas federais (as do MEC) se destinam apenas às universidades. Educação, antes de mais nada, é compromisso com o futuro.
O sistema educacional brasileiro tem algumas inversões de prioridades, como a preocupação quantitativa em detrimento da qualitativa, desde a pré-escola. É um enfoque paternalista, geralmente desvinculado da utilidade e da necessidade. Divorciada de uma visão humanística, há também uma preocupação estatística excessiva, como ocorre com as taxas de redução do analfabetismo e de evasão escolar.
Enquanto não houver um investimento maciço na qualidade da educação básica, seguiremos reproduzindo as desigualdades, o País não se livrará da vergonha da distribuição de renda que tem nem dos seus corolários, que são a violência física que campeia nas ruas e a violência política sob as quais vivemos.
Dentro deste contexto, a educação não pode mais ser vista como um parque fabril, uma escala de produção em série e de consumo em massa, apenas como atendimento a um compromisso político ou de campanha.
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