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A mente neurótica dos que mandam


Por Flávio Lauria

27/01/2026 13h15 — em
Espaço Crítico



O estudo atento do passado, da história antiga e contemporânea, não nos dá nunca uma visão de paz e nem nos dá uma visão que assegure a existência de um mundo sem conflitos sociais. Estamos presos a um passado não exemplar, prenhe de abusos políticos, de desigualdades humanas ou de choques bélicos arrasando culturas e civilizações.

Lá, no passado, tudo parece muito bonito. Os heróis, ganhadores de pelejas, ficam nas consagrações oficiais. Não há como criticar os ocasionais vencedores. Eles passam ao futuro como figuras ímpares donos dos direitos e da razão. Devemos admirá-los e não os conhecer. Recebê-los como construtores e não como destruidores de nações.

O sabor de vitórias sempre esteve aliado ao sabor do sangue humano derramado. Nem o presente no futuro consegue apagar os sucessos duvidosos de figuras que ganharam guerras ou ganharam revoluções. Respeitados, passam a tipos excepcionais. Louvados, crescem na admiração popular. Retratados, expressam-se como salvadores.

Porém o que mudou, fez o mundo mudar, foram as pesquisas cientificas dando ao homem instrumentos de trabalho que se transformaram em instrumentos de dominação. As armas se aperfeiçoaram, a riqueza de uns transformou-se em poder de alguns, ampliando as formas ou maneiras de avançar nas conquistas nacionais ou territoriais.

A tirania da economia, nas suas garras contra um mundo político, cria neuroses na política e nos políticos, nublando as iniciativas públicas necessárias e fazendo com que os interesses pessoais tenham primazias práticas na conjugação das metas sociais. O homem, então, vale pelo que pesa em ouro ou com a imagem de ouro.

Esses propósitos nos dão a lição quase exata, em face do que agora está acontecendo, com o “dono do mundo” Presidente dos EUA, ampliando seus poderes. Mais do que o que está passando, este é o século das rebeldias diante dos privilégios, das benesses com que se protegem uma só classe social, aquela que lida com os valores econômicos centrados em núcleos de comando.

Já hoje vemos que a política está enlouquecida, que a economia está desvairada e que a sociedade está perplexa. Nada aponta que nos faça crer em épocas de paz. As mudanças que vão chegar debaixo ainda não possuem características próprias no processo histórico. Ou serão guerras, ou serão revoluções, ou serão convulsões violentas.

A mente neurótica doentia daqueles que fazem o mundo rolar, não nos fazem acreditar em soluções pacíficas, nem pensar na possibilidade de formas políticas que se traduzam em formas econômicas mais humanas.
Os problemas para frente são tantos que não podemos afirmar como possam ser resolvidos. Enquanto os sibaritas se divertem, os cidadãos de consciência sofrem as amarguras de um tempo cruel. Com o crescimento esperado de populações que nascem todos os dias, este planeta-terra anuncia as vantagens da violência sobre todos os humanos.

O que vemos hoje não engana ninguém. Está no cotidiano dos jornais. A geração que aí está, vivendo o presente, pouco está ligando para o futuro. Goza a vida, nas suas limitações, como se a vida fosse só dela. Depois que venha o dilúvio que não vamos testemunhar, sombreando o sol das expectativas do viver sem atropelos econômicos.

Se ajuízem os políticos se puderem fugir das neuroses epidêmicas. Este mundo é um mundo sério e só pede que o humanismo vença as soluções na luta contra a opressão do poder sempre passageiro. Não se deve mais brincar com promessas ou com sonhos imaginosos que apenas amortecem a vontade de salvação moral ou espiritual.
 

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