Wilson Lima, legado e história
- Wilson Lima completa sete anos de governo vencendo percalços. E críticas, muitas delas politicamente orientadas. Ainda assim, o juízo definitivo não se deu apenas no debate público, mas nas urnas.
- A recondução ao cargo funcionou como freio às tentativas de imputar ao governador a responsabilidade direta e isolada pelos efeitos mais graves da pandemia no Estado, sinalizando que o eleitorado não aderiu a essa narrativa.
- Não se trata, como dissemos, de um legado imune a críticas, mas de um conjunto de entregas que ajudaram a recompor parte do tecido social afetado pela crise sanitária.
- Lima encerra este ano um ciclo político relevante no Amazonas. Sua trajetória já permite um balanço que não se resume a slogans nem a caricaturas. Trata-se de um período marcado por adversidades extremas, escolhas difíceis e enfrentamentos, mas também pela confirmação, nas urnas, de que sua experiência política não foi episódica nem circunstancial.
No balanço final — que se impõe mais pelo tempo acumulado de poder do que por um anúncio formal de despedida —, mantém os traços que o levaram ao governo: comunicação direta com a população, base eleitoral concreta e disposição de permanecer no centro do debate político. Se cumprirá integralmente o mandato ou se optará por uma transição antecipada para novos projetos eleitorais, o tempo dirá. Como sempre, caberá à história separar a crítica circunstancial do julgamento duradouro.
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Após mais de meia década no centro das decisões relevantes do Amazonas, Wilson Miranda Lima caminha para encerrar um ciclo político que poucos governadores contemporâneos conseguiram sustentar de forma contínua. Não se trata apenas da soma de um mandato integral com parte substancial de um segundo, mas de um período prolongado de exposição permanente, escolhas sob pressão e convivência diária com crises que testaram os limites da administração pública no Estado, sinalizando que sua passagem pelo Governo do Amazonas já ingressou no terreno do balanço histórico.
A trajetória que o levou ao Palácio do Governo é singular. Egresso do jornalismo televisivo de grande audiência, construiu sua imagem pública como comunicador carismático e de linguagem direta, convertendo visibilidade midiática em capital político. Milhões de amazonenses que antes o reconheciam como apresentador passaram a vê-lo como alternativa eleitoral, movimento que resultou em sua eleição e posterior recondução ao cargo, fora das estruturas tradicionais da política local.
O primeiro mandato foi abruptamente atravessado por uma crise que extrapolava qualquer fronteira regional. A pandemia da Covid-19 atingiu o Amazonas com intensidade singular, expondo fragilidades históricas do sistema de saúde e impondo desafios inéditos à gestão pública. Não havia vacina, nem protocolos consolidados, tampouco respostas científicas imediatas. O governo operava em ambiente de incerteza extrema, sob intensa pressão social.
A crise do oxigênio tornou-se o símbolo mais dramático daquele período. Ainda que responsabilidades administrativas tenham sido discutidas — e continuem a sê-lo —, é inescapável considerar fatores objetivos que agravaram o cenário, como o isolamento geográfico do Estado, a dependência de longas rotas logísticas e uma crise nacional de abastecimento. A realidade amazônica impôs limites severos à capacidade de resposta do poder público.
ASSUNTOS: Governo dp Amazonas, Wilson de MIranda Lima
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.