'Violência' no parto ou medida para salvar vidas?
- No parto, seja natural ou por cesariana, decisões precisam ser tomadas em ambiente de urgência, risco e imprevisibilidade.
- Quando o Ministério Público Federal alerta para casos de violência obstétrica, cumpre um papel relevante, mas coloca os profissionais de saúde em uma posição difícil.
- Tema complexo como esse exige cuidado redobrado. A medicina não é um fim em si mesma; ela é um meio para preservar vidas.
Muitas vezes não há tempo, conforto ou alternativas ideais. Procedimentos invasivos, dolorosos ou difíceis fazem parte desse momento — não por escolha, mas por necessidade clínica. É nesse ponto que surge um risco pouco discutido: transformar todo procedimento difícil em suspeita de violência.
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MPF cobra que violência obstétrica vire infração ética no Amazonas
Quando regras são criadas de forma ampla, sem critérios claros, profissionais passam a agir com medo de punição. E o medo, na medicina, pode atrasar decisões importantes.
Em vez de proteger, a medida sugerida pelo MP pode aumentar riscos justamente no momento em que rapidez e técnica fazem diferença entre a vida e a morte.
Muitas vezes não há tempo, conforto ou alternativas ideais. Procedimentos invasivos, dolorosos ou difíceis fazem parte desse momento — não por escolha, mas por necessidade clínica.
ASSUNTOS: mulheres, nascimento, parto, violência obstétrica. MP
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.