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Crítica não pode ser confundida com ataque à democracia


Por Raimundo de Holanda

27/01/2026 20h09 — em
Bastidores da Política


  • Essa crise que o Brasil atravessa não é apenas política ou institucional. É uma crise de entendimento.
  • Quando criticar vira crime, denunciar vira ameaça e perguntar vira suspeita, o país perde o rumo.
  • Democracia não é silêncio nem blindagem do poder. Democracia é justamente o direito de questionar — sem medo e sem rótulos.

  • O que está acontecendo é uma inversão perigosa. Em vez de o debate público se apoiar em fatos e responsabilidades, alguns conceitos passaram a ser usados como escudos. “Democracia”, “instituições” e “interesse público” viraram palavras vagas, acionadas conforme a conveniência, muitas vezes para afastar questionamentos incômodos.

 

O Brasil vive uma crise que vai além da política ou das instituições. O país está confuso. Há uma sensação generalizada de que ninguém mais sabe exatamente o que pode ou não pode, o que é crítica legítima e o que está sendo tratado como ataque à democracia.

É inegável que existe um desgaste institucional. O Supremo Tribunal Federal, por exemplo, passou a ocupar um espaço cada vez maior no debate público e, com isso, tornou-se mais exposto a críticas. Isso, por si só, não deveria ser um problema. Em qualquer democracia, instituições fortes convivem com questionamentos. O problema começa quando toda crítica passa a ser vista como ameaça ao Estado Democrático de Direito.

Essa confusão atinge em cheio o jornalismo. Profissionais que divulgam fatos, documentos ou denúncias — para que sejam apurados pelas autoridades competentes — acabam rotulados como irresponsáveis ou até como inimigos da democracia. Mas fiscalizar o poder não enfraquece o Estado de Direito. Pelo contrário: é um de seus pilares.

 

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ASSUNTOS: Brasil, democracia, STF

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.