'Avanço ambiental' é sinônimo de atraso para o Amazonas
- Sem planejamento integrado e compensações efetivas, o mercado de carbono caminha para repetir um padrão já conhecido: muita retórica ambiental e poucos benefícios reais para quem vive na Amazônia.
- Ao transformar a floresta em ativo climático, a regulamentação do mercado de carbono tende a aumentar a resistência a qualquer projeto de exploração mineral ou de infraestrutura no Amazonas.
- Obras passam a ser consideradas incompatíveis com compromissos ambientais, mesmo quando envolvem melhorias a estruturas já existentes.
A regulamentação do mercado de carbono, que o governo federal pretende concluir ainda neste ano, é apresentada como avanço ambiental importante. No entanto, para o Amazonas, a forma como essa política vem sendo conduzida pode gerar novos obstáculos ao desenvolvimento, caso a preservação da floresta seja tratada como limite absoluto.
Com isso, perde-se a capacidade de diferenciar projetos predatórios de iniciativas necessárias para reduzir o isolamento logístico e melhorar a qualidade de vida da população.
Esse raciocínio reforça uma visão simplificada da realidade amazônica, que associa automaticamente desenvolvimento à devastação.
A BR-319 ilustra bem esse impasse. A rodovia, essencial para a integração do Amazonas ao restante do país, segue paralisada por um debate que raramente avança para soluções concretas de controle e fiscalização, agora acrescido do argumento climático.
Preservar a floresta é fundamental, mas não pode servir de justificativa permanente para a ausência de decisões.
ASSUNTOS: Amazonas, meio ambiente, mercado de carbono
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.