O debate eleitoral de 2026 no Amazonas deva começar por uma pergunta simples, mas decisiva: quanto do desenvolvimento produzido na região realmente permanece nela?
Ao longo das últimas décadas, o debate sobre a Amazônia tem sido conduzido a partir de agendas externas — ambientais, geopolíticas ou industriais — que nem sempre refletem as prioridades econômicas de quem vive na região.
Esse problema aparece com clareza quando se observa o principal instrumento de política econômica amazônica: a Zona Franca de Manaus. Com frequência, a defesa do modelo é sustentada por indicadores de geração de empregos e volume de faturamento industrial. São dados relevantes, mas incompletos.
Quando se analisa a estrutura produtiva com mais atenção, surge uma preocupação crescente: a participação de insumos locais nas cadeias industriais vinculadas ao polo tem diminuído ao longo do tempo, o que reduz os efeitos multiplicadores do modelo sobre a economia regional.
Em termos práticos, isso significa que parte significativa dos componentes utilizados pelas indústrias instaladas no polo industrial continua sendo importada ou adquirida fora da região. A consequência é uma integração produtiva limitada com a economia local, o que fragiliza a capacidade do modelo de produzir desenvolvimento regional mais amplo e duradouro.
Em um cenário em que os incentivos fiscais da Zona Franca são frequentemente questionados no debate nacional, essa baixa integração torna o próprio argumento do desenvolvimento local mais vulnerável.
É justamente por isso que as eleições de 2026 devam recolocar esse debate em novos termos. Mais do que defender a continuidade do modelo, será necessário discutir sua evolução, ampliando cadeias produtivas locais e fortalecendo a presença de fornecedores regionais. Porque, no fim, a pergunta permanece inevitável: se a riqueza passa pela Amazônia, por que ela continua saindo sem deixar raízes?
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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