Início Espaço Crítico O inferno são os outros
Espaço Crítico

O inferno são os outros

Espaço Crítico
Por Espaço Crítico
04/03/2026 às 01h08 — em Espaço Crítico
Envie
Envie

Tenho me esforçado para aumentar um pouco mais a duração do meu silêncio diante do mundo. O silêncio cria vazios, lacunas; instaura a meditação que recorta o espírito homogêneo da memória. Não me agrada jogar pérolas preciosas aos porcos, falar com um interlocutor que ignora o que eu falo, gritar aos quatro ventos os meus pensamentos mais felizes.

Vladimir Nabokov anotou que "penso como um autor genial, escrevo como um autor de talento, mas falo como um idiota''. É preciso recuperar o tempo das coisas, revelar as marcas do silêncio secreto para colocar a nu o cotidiano e, por fim, desvelar a experiência dos sentidos, estado original do ser. Deixar para os outros as preparações e execuções.

De hoje em diante só falarei com quem me interessar, não armarei cenários que serão desmontados logo após o espetáculo e nem me representarei em praça pública. Eu penso que devo apenas apresentar as coisas que mais me emocionam, como a ideia, o princípio, ou aquilo que eu gostaria de ser. Aliás, não vim ao mundo para negociar, e sim para me emocionar. E se eu me emociono, acabo emocionando o outro. O inferno são os outros, já dizia Sartre. É raro o outro reconhecer os momentos vitoriosos do nosso espírito, e imaginá-los livres como os paraquedas que só funcionam quando abertos.

Muitas vezes, imaginei que tudo era possível nesta vida, até mesmo reconciliar com os traidores, ressentidos e dissimulados... Eu me enganei como em outras vezes. Preferi a mim mesmo. Recorri ao mais profundo silêncio e descobri que todo homem está marcado por algum erro. Muitos homens vivem aparentemente como pessoas de bem e desconhecem a realidade dos outros e mesmo assim morrem sem confessar.

Devemos nos desiludir da vida. Esta é a ideia que vai nos levar a um estado mais permanente de felicidade. Eis o lugar ideal do tempo. A primeira coisa a se fazer é percorrer os desencantos, as sombras, as ausências. Depois cercar-se de atos e fases que desejamos realizar. Ignorar por completo a memória individual e seletiva. Buscar apenas a lembrança coletiva, os contornos desenhados pela história dos homens. Apesar de que os sentimentos dos outros não deveriam nos ser emprestados. Os nossos deveriam nos bastar. É preferível desprezar o que sabes, e nunca o que sonhas.

O mundo visível é feito de material lógico. Devemos reinventar as coisas invisíveis para testar a intensidade de nossos sentidos. Muitos morrem desejando o que não desejam. É necessário recorrer sempre ao silêncio e sorrir de verdade sobre a vida apaziguada.

O silêncio é uma encarnação do ser em busca de seu sentido; é algo que nasce do ritmo, da música. Pode-se falar do silêncio em termos musicais. Existem silêncios graves

Espaço Crítico

Espaço Crítico

Possui graduação em Administração pela Escola Superior Batista do Amazonas(1982) e especialização em Intensivo de Pós Graduação Em Adm. Pública pela Escola Brasileira de Administração Pública(1993). Atualmente é PROFESSOR da Escola Superior Batista do Amazonas e professor titular da Faculdade Nilton Lins. Tem experiência na área de Administração, com ênfase em Administração de Empresas.

Os artigos, fotos, vídeos, tabelas e outros materiais publicados nesta coluna não refletem necessariamente o pensamento do Portal do Holanda, sendo de total responsabilidade do(s) autor(es) as informações, juízos de valor e conceitos divulgados.

Siga-nos no

Google News