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Espaço Crítico

Será que acham que, somos burros?

Espaço Crítico
Por Flávio Lauria
14/04/2026 00h17 — em Espaço Crítico

Às vezes me acho meio burro. Não adiantou nada ter feito alguns testes de Q. I. e saído feliz com os resultados. Não valeu ter alisado, por muitos anos, carteiras escolares, feito mestrado, cursos de pós. A certeza da minha burrice parece ser procedente. Não é conversa fiada. Ela se baseia na constatação de que não tenho capacidade para entender determinadas coisas neste nosso querido Brasil. Cinco exemplos. Primeiro: Leio estarrecido que o governo já emprestou R 2,4 bilhões às empresas de telecomunicações privatizadas. E não fica só nisso, vai emprestar - ou já o fez - mais R 7 bilhões. O total arrecado com as vendas foi de R 22 bilhões. Se emprestar 9,4 bilhões, os grupos compradores terão recebido 42% do total da compra. Ora, se o governo vendeu para se livrar de um problema (?), como financiar, se todo o santo dia pede dinheiro emprestado aos bancos?

Segundo: Qualquer pessoa medianamente esclarecida sabe que os bancos têm no governo a sua maior fonte de receita: segura, não discute preço e sempre quer mais. Se o governo não tem dinheiro, reclama com o novo mínimo, como é tão liberal em facilitar a vida de grandes empresas que fizeram cadastros, disputaram licitações em que se diziam fortes financeiramente e estavam capacitadas a assumir o controle das empresas privatizadas? Além disso, o valor pago como ágio na ocasião das compras das teles poderá ser abatido do imposto de renda a pagar.

Terceiro: Alguns membros do Governo eram dirigentes de bancos e de empresas internacionais com salários mensais superiores a 50.000 dólares ou 250 mil reais, afora despesas pagas, lucros e gratificações anuais. Por patriotismo (?) passam a trabalhar no governo com um teto de 46 mil reais. Usam ternos e complementos importados, viajam para o exterior com regularidade e alguns mantém dupla residência. Aqui e fora do país.

Quarto: É simples saber que um hospital não pode sobreviver com os valores que o Sistema Unificado de Saúde (SUS) paga. O governo continua fazendo de conta que está pagando correto, os hospitais dão um jeito para sobreviver - enquanto muitos pacientes morrem - com os atrasos, preços defasados e os médicos obrigados a ser ubíquos. Enquanto isso, os remédios custam, às vezes, no Brasil mais do que nos países - do Primeiro Mundo - sedes dos laboratórios. Por outro lado, umas farmácias dão 25% de desconto e outras dizem que, em nome da ética, não podem dar desconto algum. Dá para entender?

Quinto: As eleições municipais passaram. Quase todos os municípios brasileiros referem estar falidos, com dívidas maiores que suas capacidades de pagamento. Os prefeitos eleitos ou ré já se dizem injustiçados pela imprensa, desgastados com o funcionalismo, pressionados pelos credores, alguns são investigados por improbidade, cobrados pelas famílias e com um estresse enorme. Mas nem por isso, a grande maioria deixou de se recandidatar, sofrer, gastar muito dinheiro, comer maioneses, discursar em palanques, abraçar crianças, cantar o hino nacional de mãos dadas com familiares e correligionários que, em breve, poderão se tornar adversários. Dá para ser inteligente?

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Flávio Lauria possui graduação em Administração pela Escola Superior Batista do Amazonas(1982) e especialização em Intensivo de Pós Graduação Em Adm. Pública pela Escola Brasileira de Administração Pública(1993). Atualmente é PROFESSOR da Escola Superior Batista do Amazonas e professor titular da Faculdade Nilton Lins. Tem experiência na área de Administração, com ênfase em Administração de Empresas.

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