É urgente a necessidade de reação por parte dos homens de bem que ainda estão militando na atividade política. Eles não podem assistir impassíveis e silenciosos à agonia da dignidade na vida pública brasileira, enxovalhada pela maré montante de escândalos que estão horrorizando os cidadãos. Há uma convergência de concausas a justificar a crescente degradação dos costumes, imperantes na atividade daqueles que foram eleitos para representar os cidadãos e os escolhidos para participarem da administração. Sem qualquer dúvida, a mais eminente delas é a deformação do processo de captação da vontade popular, a partir do sistema de votação proporcional e do abuso do poder econômico nas eleições.
As recorrentes notícias da imprensa, que realiza notável trabalho de assepsia na vida pública brasileira, dando conta da presença cada vez mais acentuada de dinheiro proveniente do narcotráfico, indicam estar o organismo institucional brasileiro padecendo de grave moléstia moral. E não são somente os traficantes a única fonte de financiamento dos pleitos, favorecidos pelo sistema de votação proporcional, transformado em porta aberta para penetração de quantos desejam escapar dos rigores da lei penal com a conquista das imunidades parlamentares. A onda de impunidade, que enseja continuem em liberdade os fraudadores e corruptores de todos os matizes, responde em grande parte por este clima de escândalos que leva os homens de bem a descrerem do verdadeiro Estado de Direito.
Há uma crescente apatia entre os jovens com relação à participação na atividade política, em grande parte motivada pela descrença nos políticos e o horror aos deslizes de ordem moral por eles constantemente praticados, tem-se a impressão de que os sintomas da doença permeiam todo o organismo nacional. As notícias referentes à presença de políticos financiados pelo tráfico de drogas e por outros meios derivados da corrupção generalizada revelam em todo seu realismo cruel o retrato sem retoques do clima de emoliência moral em que está vivendo o Brasil.
Felizmente, aqui e acolá surgem reações vigorosas. Mas os vícios que debilitam os mecanismos institucionais são de origem e, portanto, somente podem ser combatidos com profundas reformas, em que se incluem aquelas que devem atingir os códigos brasileiros. O que não é possível é permitir continuem as coisas como estão, sem uma forte reação da opinião pública, novamente convocada neste ano a renovar Presidência, dois terços do Senado, Câmara Federal e Assembleias. A não ser que o desinteresse pelo futuro e o descuido com a formação das novas gerações prevaleçam em definitivo. Se assim for, será inevitável continue ainda por muito tempo a longa agonia da dignidade.
Espaço Crítico
Flávio Lauria possui graduação em Administração pela Escola Superior Batista do Amazonas(1982) e especialização em Intensivo de Pós Graduação Em Adm. Pública pela Escola Brasileira de Administração Pública(1993). Atualmente é PROFESSOR da Escola Superior Batista do Amazonas e professor titular da Faculdade Nilton Lins. Tem experiência na área de Administração, com ênfase em Administração de Empresas.
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