Compartilhe este texto

Dez de julho, marca histórica


Por Flávio Lauria

09/07/2025 17h30 — em
Espaço Crítico



Costumo brincar com amigos, que nasci num dia tão importante, que fizeram uma Rua no centro da cidade de Manaus, com a data do meu nascimento, Dez de Julho. Na verdade, essa data remonta a libertação dos escravos no Amazonas, quase um ano antes da Lei Aurea.

O Amazonas possuía, em relação às outras Províncias, pequena quantidade de escravos. Fácil, portanto, a propaganda abolicionista. Tal situação estimulava os maçons (pedreiros livres) a entrarem em ação.

Os líderes fundadores influenciados por maçons na Assembleia Provincial, desde o ano de 1880 até 1884, todos os orçamentos consignavam dotações específicas, na lista de suas despesas, destinadas à libertação, cujas cartas de alforria eram entregues sempre em festas solenes, para maior retumbância do acontecimento. Por disposições legais dificultavam-se entradas de escravos no território amazonense. Para isso, taxas pesadas se decretam.

O tributo de averbação, por venda de cativos tornou-se vexatório, para se evitar que tais negociações continuassem. Rara era a festa, regozijo público ou particular que não fossem marcadas com a entrega de carta de alforria.

No ano de 1884 a grande Benemérita Loja Simbólica ‘Amazonas n.º 2’, foram as que mais desenvolveram as suas ações abolicionistas. Maçons dessas duas lojas seriam os autores da lei de 24 de abril de 1884, que consignou a quantia de 300 contos de réis, num orçamento de 2.500 contos para completar as alforrias, ao mesmo tempo proibindo a entrada de novos escravos na Província do Amazonas.

Buscando um fortalecimento ainda maior para os seus ideais, fundaram também a ‘Sociedade Libertadora 25 de Março e o respectivo órgão na imprensa, o ‘Abolicionista Amazonense’, que teria, no seio da opinião pública, a devida repercussão. Vários foram os maçons que se destacaram neste movimento emancipador, entre eles destacamos: Carlos Gavinho Viana, Bento de Figueiredo Tenreiro Aranha, Antônio Dias dos Passos, Deocleciano Justo da Mata Bacelar, Antônio Clemente Ribeiro Bittencourt, Maximiano José Roberto, Gentil Rodrigues de Souza, João Carlos Antony, Pedro Ayres Marinho, Antônio Hosannah de Oliveira, Francisco Público Ribeiro Bittencourt, Antônio Ponce de Leão e Antônio e Solimões, alforriando escravos.

No dia 10 de julho de 1884 foi decretada, por um maçom que governava. Esse ato ficou assim assinalado: Foi um acontecimento que se revestiu de alta significação social e política, pelas suas benéficas consequências.

De fato, era um regime anormal alimentar-se o cativeiro no continente da liberdade. Nada mais esdrúxulo e desumano, cada nação americana proclamar-se livre de sua metrópole e, ao mesmo tempo, conservar e explorar a escravidão. Um verdadeiro contrassenso. E foi para evitá-lo que o grande José Bonifácio, ao ser feita a independência, indiciou, em célebre manifesto, que fosse imediatamente declarada a manumissão.

A ideia não venceu, mas havia de vencer. Efetivamente, o Amazonas, ao libertar os seus escravos, dava um grande passo à igualdade social do homem em terras brasileiras e cumpria a maçonaria com um de seus mais legítimos desideratos. A libertação dos escravos no Amazonas foi solenizada em praça pública.

Hoje o velho rio Negro, que presenciou tantas lutas desses bravos irmãos, caminha de forma encontrada ao encontro do grande e perpétuo embate com o Solimões, como se fora um milagre diário da vontade suprema do Grande Arquiteto do Universo, a festejar as lamas dos nossos bravos irmãos emancipadores de tão longínqua Província.

Por fim, afirmo a grandeza da data, inclusive pelo meu natalício.

Siga-nos no
Os artigos, fotos, vídeos, tabelas e outros materiais publicados nesta coluna não refletem necessariamente o pensamento do Portal do Holanda, sendo de total responsabilidade do(s) autor(es) as informações, juízos de valor e conceitos divulgados.

ASSUNTOS: Espaço Crítico