Silas Câmara entra na mira da CPI do INSS; ex-mulher é pivô das denúncias
O deputado federal Silas Câmara (Republicanos-AM), expoente da bancada evangélica, tornou-se um dos nomes centrais nas investigações da CPI do INSS. O parlamentar é apontado como o principal articulador de um acordo entre o instituto e a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), entidade suspeita de realizar descontos indevidos em aposentadorias de milhares de brasileiros. Sua ex-esposa, a também deputada federal Antonia Lucia (Republicanos-AC), tornou-se a voz mais contundente por trás das acusações que ligam o parlamentar a um suposto esquema.
Entre março de 2023 e abril de 2025, a CBPA recebeu R$ 221 milhões em repasses do INSS. A movimentação financeira saltou de R$ 30 mil mensais para quase R$ 10 milhões após a implementação de descontos de até 2,5% nos benefícios previdenciários. Contudo, auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU) revelaram que, em amostras analisadas, nenhum associado confirmou ter autorizado tais cobranças.
A investigação ganhou novos contornos após documentos enviados à CPI e apurados pelo jornal O Globo revelarem que a CBPA repassou, desde o fim de 2023, cerca de R$ 1,8 milhão para empresas ligadas a familiares de Silas Câmara.
A investigação da CPI do INSS e da Operação Sem Desconto aponta que Silas não apenas articulou acordos institucionais para a CBPA, como também viu sua estrutura familiar ser financiada pela entidade. Enquanto a confederação recebia R$ 221 milhões do INSS sob suspeita de fraudar assinaturas de pescadores, o dinheiro fluía para empresas de parentes do deputado:
Contratos com os Filhos: Empresas ligadas a Heber Câmara e Elienai Câmara, filhos de Silas, receberam repasses que somam centenas de milhares de reais.
Cunhada e Sogra: A Network Filmes e a Network Multimídia, geridas por parentes do filho do deputado, abocanharam mais de R$ 1 milhão da entidade investigada.
Advocacia Familiar: Até a filha do casal, Milena Ramos Câmara, foi contratada pelo setor jurídico da CBPA, reforçando o cerco familiar em torno da instituição.
O envolvimento de Silas no escândalo, impulsionado pelas revelações de Antonia Lucia, provocou um terremoto na bancada evangélica. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), aliada de Antonia, tem sido uma das vozes a sugerir que a investigação deve ir a fundo, mesmo que atinja "grandes pastores".
A defesa de Silas Câmara sustenta que as denúncias de Antonia Lucia não possuem "base fática" e que as relações familiares e contratações de suas empresas não implicam, por si só, em irregularidades. Para o deputado, o acordo com o INSS visava apenas beneficiar os pescadores artesanais, negando qualquer desvio de finalidade.
ASSUNTOS: Brasil