Estudante é estrangulada até a morte em laboratório de universidade

Por Portal do Holanda

11/03/2016 15h48 — em Brasil

 

A estudante de biologia da Universidade de Brasília (UnB) Louise Ribeiro foi assassinada por outro estudante da instituição após ser dopada com clorofórmio, informou a Polícia Militar do Distrito Federal. A morte foi por asfixia e ocorreu dentro do laboratório do curso por volta das 22h desta quinta-feira (10).

Nesta sexta de manhã, a PM prendeu o estudante Vinícius Neres, de 19 anos, pelo crime. De acordo com a polícia,ele confessou ter matado a garota, que tinha 20 anos. O motivo do homicídio teria sido a recusa da menina em ter um relacionamento com ele.

Na delegacia, a mãe do suspeito afirmou que agressor e vítima chegaram a namorar, mas que o rapaz já estava em outro relacionamento. "Meu filho nunca faria isso. Ele estava em casa à noite. Ele não é assassino", disse a mãe do suspeito, que pediu para não ter o nome divulgado.

O capitão da PM Jorge da Silva disse que o estudante havia ligado para Louise marcando um encontro no laboratório. “Ele disse que iria se matar caso ela não fosse ao local.” Silva disse que Neres aparentava ter algum distúrbio psicológico. “O fato de ele ter muita calma e tranquilidade e por várias vezes estar sorrindo durante a confissão demonstra um comportamento de sociopatia e covardia.”

O corpo da menina foi encontrado em uma área de cerrado no Setor de Clubes Norte, próximo à UnB, após indicação do local por Neres. O carro dela foi achado abandonado no estacionamento da universidade. Amigos da menina avisaram a polícia e disseram que Neres podia ter envolvimento com o crime, devido à suposta fixação que o estudante tinha por Louise.

O capitão Silva ligou para o estudante, que chegava à UnB, e marcou um encontro com ele. Após ser questionado pela polícia se havia tido contato com a menina, ele acabou confessando o crime.

O estudante disse que enrolou o corpo de Louise em um colchão inflável e o transportou no carro dele até o local onde ela foi encontrada. Neres ateou fogo ao rosto e à genitália da vítima. Segundo a polícia, as queimaduras na genitália indicam a possibilidade de o suspeito ter violentado a estudante.

De acordo com a polícia, o estudante alegou que tinha a intenção de se matar após cometer o crime, mas desistiu do suicídio. Alguns amigos do suspeito e da vítima relataram que Neres possuía um "distúrbio psicológico" e já havia tentado suicídio três vezes, segundo a polícia.

 

Aulas suspensas

A diretora do Instituto de Biologia da UnB, Andrea Maranhão, informou que as aulas foram suspensas. “Tem muitos amigos deles aqui. E a nossa preocupação também é dar suporte para esses que estão sofrendo. Estou muito preocupada. [Estou] com psicólogo, com médico, com ambulância chegando, para ver se que consigo que esse meninos, os que ficam, tenham suporte”, diz.

“A gente está pensando em fazer uma homenagem aqui nesse jardim para ela, na segunda-feira, às 10h. E aí a gente suspende as aulas ainda na segunda. Vamos ver como é que a coisa anda. Acho que o velório vai ser amanhã, acho que os meninos vão estar todos lá. A minha proposta é essa."

'Estranho'

Uma estudante, que não quis se identificar, disse que uma amiga estudava com o suspeito sempre o achou “estranho”. “Uma colega minha está sendo atendida pelos psicólogos. Ele era obcecado por ela há muito tempo. Acho que ela está pensando 'se não fosse ela, seria eu’.”

"Professores que deram aula para ela estavam bem abalados. O clima está superestranho e pesado. Uma menina sofreu convulsão", afirmou a estudante de biologia Camila Moniz.

A porteira do instituto Célia de Souza disse que conhecia a estudante. “Uma pessoa doce, só isso que eu posso falar. Muito doce.”

Uma colega da estudante, que não quis se identificar, afirmou que os amigos e parentes da vítima estão em choque. “Tudo aconteceu muito rápido. Há poucas horas a gente ainda estava atrás dela. Ela era uma pessoa muito gentil e sorridente, realmente foi uma perda muito grande.”

A estudante disse que o caso deve ser divulgado na tentativa de evitar que crimes semelhantes se repitam. Segundo ela, o assassinato reforça a necessidade do debate sobre feminicídio, relacionamentos abusivos e outras formas de violência contra as mulheres. “Muitas pessoas se identificam com a situação. Precisamos conversar para não passar por isso de novo.”

 

 


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