Roblox vira alvo de autoridades após denúncias de aliciamento de menores; veja detalhes
Um dos ambientes virtuais mais populares do mundo, o Roblox tornou-se alvo central de autoridades brasileiras após o aumento expressivo de denúncias envolvendo aliciamento de menores e conteúdos impróprios. Com mais de 144 milhões de usuários diários — a maioria crianças e adolescentes —, a plataforma permite que qualquer pessoa crie mundos virtuais e interaja via chat. No entanto, o que deveria ser um espaço de lazer tem sido apontado pela Polícia Civil como um cenário fértil para criminosos, que aproveitam a facilidade de criação de contas sem exigência de documentos para monitorar e se aproximar de vítimas vulneráveis.
As investigações revelam um lado sombrio por trás do visual lúdico do jogo: a presença de ambientes que simulam ataques em escolas, apologia a facções criminosas e até "bailes funk" com teor sexual. Segundo a delegada Lysandrea Salvariego Colabuono, do Núcleo de Observação e Análise Digital (SP), o monitoramento policial indica que cerca de 90% das vítimas de abusadores digitais iniciaram o contato dentro do Roblox. Os criminosos agem de forma paciente, ganhando a confiança das crianças antes de migrar a conversa para outros aplicativos, onde solicitam fotos e vídeos íntimos sob manipulação emocional.
Casos reais reforçam o alerta das autoridades em diferentes regiões do país. Em Curitiba, uma menina de 11 anos foi chantageada após interagir em um jogo de construção, enquanto em Porto Alegre, uma adolescente de 12 anos teve fotos expostas por um agressor de 16 anos identificado em Ribeirão Preto. No dispositivo do suspeito, a polícia encontrou evidências de apologia ao nazismo e grupos de pedofilia. Esses episódios evidenciam a dificuldade de moderação da plataforma, já que muitos conteúdos denunciados levam semanas para serem removidos, expondo menores a riscos contínuos.
Em resposta às críticas, o Roblox afirmou em nota que adota medidas de segurança rigorosas, como a não criptografia das mensagens para permitir o monitoramento e a proibição de conteúdos que promovam atividades ilegais. Recentemente, a empresa implementou sistemas de verificação facial para tentar restringir o acesso de crianças a chats de voz. A plataforma ressalta que utiliza inteligência artificial e revisores humanos para detectar infrações, além de oferecer ferramentas de denúncia para os responsáveis, embora o volume massivo de jogos criados por usuários siga sendo um desafio técnico.
O debate ganha urgência com a proximidade do dia 1º de março, quando entra em vigor o novo Estatuto da Criança e do Adolescente Digital (ECA Digital). A legislação brasileira promete regras mais severas para a operação de empresas de tecnologia, exigindo proteção integral aos menores no ambiente virtual. O movimento acompanha uma tendência global de restrição, com países como Austrália e Espanha já adotando medidas limitadoras, enquanto famílias nos Estados Unidos processam plataformas por criarem ambientes considerados nocivos e viciantes para o público infantil.
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