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Razão da troca de comando na PF

Moro expõe que Bolsonaro está preocupado com inquéritos no STF

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Durante o anúncio de saída do Ministério da Justiça, nesta quinta-feira (24), Sérgio Moro declarou que o principal motivo era a interferência política de Jair Bolsonaro na direção da Polícia Federal. A afirmação ocorreu devido a exoneração do diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, sem o aval de Moro. De acordo com o ex-juiz da Lava Jato, Bolsonaro quer alguém no cargo em que ele tenha contato pessoal e que possa pedir informações sobre inquéritos como alguns que o estão preocupando no Supremo Tribunal Federal (STF). 

"O presidente também me informou que tinha preocupação com inquéritos em curso no Supremo Tribunal Federal e que a troca também seria oportuna da Polícia Federal. Por esse motivo, também não é uma razão que justifique a substituição. Até é algo que gera uma grande preocupação. Enfim, eu sinto que eu tenho o dever de tentar proteger a instituição, a Polícia Federal. E por todos esses motivos, eu busquei uma solução alternativa, para evitar uma crise política durante uma pandemia. Acho que o foco deveria ser o combate à pandemia. Mas entendi que eu não podia deixar de lado esse meu compromisso com o estado de direito."

Um desses inquéritos seria contra o filho do presidente, Carlos Bolsonaro, em relação a fake news espalhadas contra o STF, que teriam sido propagadas a mando de Carlos. 

Moro frisou que não iria aceitar esse tipo de interferência política na PF, algo que não ocorreu nem nos governos do PT, enquanto andavam os processo da operação Lava Jato. "Presidente me disse mais de uma vez que ele queria ter uma pessoa do contato pessoal dele [na Polícia Federal], que ele pudesse ligar, colher relatórios de inteligência. Realmente não é o papel da Polícia Federal prestar esse tipo de informação. As investigações têm que ser preservadas. Imaginem se durante a própria Lava Jato, o ministro, um diretor-geral, presidente, a então presidente Dilma, ficassem ligando para o superintendente em Curitiba para colher informações sobre as investigações em andamento. A autonomia da Polícia Federal como um respeito à autonomia da aplicação da lei, seja a quem for isso, é um valor fundamental que temos que preservar no estado de direito.”

Moro pediu respeito a autonomia da PF. "Temos que garantir o respeito à lei, à própria autonomia da Polícia Federal contra interferências políticas. Certo, o presidente indica, ele tem essa competência, ele indica o diretor-geral, mas ele assumiu um compromisso comigo inicial que seria uma escolha técnica, que eu faria essa escolha. E o trabalho vem sendo realizado. Poderia ser alterado o diretor-geral desde que eu tivesse uma causa consistente. Não tendo uma causa consistente e percebendo que essa interferência política pode levar a relações impróprias entre o diretor-geral, entre superintendentes, com o presidente da República, é algo que realmente não posso concordar."

Sergio Moro pediu que a PF não aceite nenhum tipo de interferência política em suas investigações.



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