Início Brasil Fiocruz Amazônia inicia expedição para investigar impactos do clima na saúde indígena
Brasil

Fiocruz Amazônia inicia expedição para investigar impactos do clima na saúde indígena

Fiocruz Amazônia inicia expedição para investigar impactos do clima na saúde indígena
Fiocruz Amazônia inicia expedição para investigar impactos do clima na saúde indígena

Manaus/AM - Pesquisadores da Fiocruz Amazônia iniciaram, no último dia 7 de fevereiro, uma expedição científica no território indígena Munduruku, no interior do Amazonas, para investigar os impactos das mudanças climáticas na saúde das comunidades. A ação integra o Projeto Ybyrá, financiado pelo Ministério da Saúde, e reúne equipes multidisciplinares que atuam em 13 aldeias localizadas na calha do Rio Canumã, entre os municípios de Borba e Nova Olinda do Norte, a cerca de 300 quilômetros de Manaus.

Durante a expedição, os pesquisadores realizam coleta de amostras biológicas humanas e animais, além de exames como hemograma, testes de glicemia, diagnóstico de HPV e triagens clínicas. O objetivo é identificar doenças crônicas, infecciosas e possíveis patógenos circulantes em áreas isoladas, onde o acesso à saúde é limitado. “A ideia do projeto é permitir uma atuação em rede, numa visão integrada do território de saúde, para entender o impacto das mudanças climáticas na vida dos indígenas”, explicou o virologista e coordenador do projeto, Pritesh Lalwani.

Segundo os pesquisadores, eventos climáticos extremos, como secas prolongadas e cheias intensas, têm afetado diretamente a segurança alimentar, o acesso à água potável e as condições de saúde das comunidades. “Quando a cheia alaga roças e caminhos, não é só o clima que muda: muda o acesso à água segura, a disponibilidade de alimentos e até a logística para chegar a um posto de saúde”, afirmou o pesquisador Rodrigo Tobias, que coordena a expedição.

O projeto também inclui ações de educação em saúde, orientação sobre direitos indígenas e oficinas voltadas ao fortalecimento das comunidades. A iniciativa reúne instituições como a Universidade Federal do Amazonas (UFAM), o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e órgãos do sistema de saúde indígena. De acordo com os coordenadores, a pesquisa busca desenvolver um modelo integrado que una ciência e assistência. “Estamos desenhando um modelo inédito de execução de pesquisa e assistência que pode vir a se tornar política pública para os territórios indígenas do país”, destacou Lalwani.

Lideranças indígenas avaliam a expedição como um marco histórico para a região, devido à dificuldade de acesso a exames e atendimento médico. “A vinda do projeto para essa região tão isolada é um grande avanço e uma conquista para o nosso povo”, afirmou Pedro Santa Rita, presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena. A expedição segue até o dia 22 de fevereiro e deve retornar à região no segundo semestre, durante o período de seca, para continuidade da pesquisa e devolutiva dos resultados às comunidades.

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?