Ao seu lado estavam Rachel Gouveia, professora da UFRJ e autora de Na Mira do Fuzil: A Saúde Mental das Mulheres Negras em Questão , que fez uma apresentação inspirada e inspiradora, e da jornalista Daniela Arbex, autora de Holocausto Brasileiro: Genocídio: 60 Mil Mortos no Maior Hospício do Brasil , que fez a mediação. Entre os temas em discussão estavam processos individuais e coletivos de sofrimento, racismo, acesso a tratamento, e até a proposta do prefeito Eduardo Paes de instituir um projeto de internação compulsória de usuários de drogas no Rio. A plateia era majoritariamente feminina e havia fila de espera para entrar.
"O adoecimento e o enlouquecimento têm ligação direta com as relações sociais. A pandemia colocou as pessoas em isolamento, as deixou sozinhas. Pessoas mais idosas adoeceram, os índices de demência aumentaram. Pessoas isoladas se separam, se violentaram, brigaram, conflitaram muito mais. Então, o que é saúde?", questionou. "É relação social de mínima qualidade. É você estar com quem você gosta, é você ser o que você gosta de ser. Parece pouco, né? Parece simples", continuou.
Uma pessoa da plateia boceja.
E Maria emenda, brincando: "Olha, está bocejando só de pensar na trabalheira que vai me dar saber quem sou eu, do que que eu gosto Isso já é difícil, e o terceiro momento da história é achar quem eu gosto de ficar perto de mim. Aí, gente, corta os pulsos. E quando você acha e perde? Aí você se mata." Ela ri. "Só fazendo piada mesmo. Estou em Paraty e dá uma saudade, gente, que é fogo. Enfim, viajei aqui", disse, emocionada. O público achou bonito.



