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Após protesto, gestão Nunes adia anúncio de projeto habitacional no terreno do Teatro de Contêiner

Por Folha de São Paulo

20/08/2025 13h45 — em
Variedades



SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A gestão Ricardo Nunes (MDB) desistiu na noite de terça-feira de uma entrevista coletiva que seria dada na manhã desta quarta-feira (20) para anunciar o projeto habitacional que pretende construir no terreno do Teatro de Contêiner, na Luz.

O palco já estava sendo montado quando a prefeitura cancelou a apresentação. A informação foi confirmada pelo vice-prefeito, Mello Araújo (PL).

A desistência veio depois da mobilização de coletivos teatrais e movimentos de moradia em torno da permanência do teatro no espaço. Durante a tarde desta terça, a prefeitura retirou os profissionais de teatro do prédio de um antigo hotel, que fica no mesmo terreno.

O local era usado pelos integrantes do grupo como oficina de serralheria e de figurinos. Vídeos divulgados nas redes sociais da Companhia Mungunzá mostram o momento da desocupação do prédio, com a ação de guardas-civis metropolitanos.

Houve uma assembleia no local na noite desta terça, e a programação continuou na manhã desta quarta, com a presença de alunos das escolas de artes da capital. As escolas de artes da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) e da Universidade de São Paulo (USP) suspenderam as aulas para que os alunos pudessem participar dos atos.

Cerca de 200 estudantes estavam no local. Alunos das Escolas Técnicas Estaduais de São Paulo (Etecs), da Escola Livre de Teatro de Santo André e da SP Escola de Teatro também participaram da manifestação.

O último prazo dado pela prefeitura para a retirada do teatro vence nesta quinta-feira (21). A primeira ordem de despejo foi expedida em maio. Os artistas dizem que têm programação fechada até o dia 21 de dezembro e pedem para que o prazo seja prorrogado até lá, inclusive para o cumprimento das obrigações da companhia nos editais do município e do estado em que foram contemplados.

Nesta quinta, o espaço deve receber o show do guitarrista de jazz Diego Estevam, dentro do projeto Negras Melodias.

Ainda na terça, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, e a presidente da Funarte, Maria Marighella, propuseram uma negociação entre a União, o governo do estado e a prefeitura para analisar a possibilidade da manutenção do teatro no local e, no caso de impossibilidade, um acordo para conseguir um prazo para o término das apresentações deste ano e a mudança para um lugar em conformidade com a proposta artística e social da companhia.

Ao longo do dia, uma equipe da Secretaria de Subprefeituras, com o apoio de GCMs, seguia fazendo a retirada de material de cena da companhia de dentro do antigo hotel. Como não tem lugar para armazenar todos os cenários e figurinos, o grupo pediu para que o prédio fosse lacrado com os objetos dentro.

A administração municipal afirma que a ocupação do prédio é clandestina. Os artistas dizem que utilizam o local, ligado ao terreno do teatro por uma porta, desde 2016, quando iniciaram a ocupação.

A prefeitura ofereceu um terreno para o grupo, na rua Rui Barbosa, no acesso à ligação leste-oeste. Os artistas chegaram a visitar o local a apontaram para sua inviabilidade técnica, em razão de dificuldades de isolamento acústico e da dificuldade de instalação dos contêineres, em razão do terreno não ser plano. É o terceiro terreno recusado por eles.

A prefeitura apontou problemas nos seis terrenos sugeridos pela companhia. Os últimos dois deles na avenida 23 de Maio, próximo ao viaduto Condessa de São Joaquim, e nas imediações do Centro Cultural São Paulo.

Na manhã desta quarta, o promotor Paulo Destro notificou as secretarias municipais de Cultura, Direitos Humanos, Projetos Estratégicos do Município e Urbanismo, a Subprefeitura da Sé, a GCM o Conpresp e a Procuradoria Geral do Município com um convite para uma reunião de conciliação no dia 8 de setembro.

Ele convidou o grupo de teatro, o coletivo Tem Sentimento –que ocupa o espaço junto com eles e trabalha com costuma para mulheres cis, trans e migrantes em vulnerabilidade social– e o Ministério da Cultura para a reunião.

Ele também notificou para que, no prazo de dez dias, Nunes, o subprefeito da Sé, coronel Salles, e o inspetor superintendente do Comando-Geral, Jairo Chabaribery Filho, forneçam informações no prazo de dez dias "sobre quem autorizou a intervenção de agentes da Guarda Civil Metropolitana de São Paulo, em 19 de agosto de 2025, com agressões físicas e ameaça com armas letais contra os integrantes da Cia. Mungunzá de Teatro".

O promotor destaca que o terreno foi ocupado quando estava em desuso e pede esclarecimentos também sobre a existência de "mandado judicial ou ordem administrativa e remoção coercitiva para a referida intervenção no local, com uso de bombas e spray de gás de pimenta por parte da Inspetoria Regional de Operações Especiais – IOPE".

Destro é autor do inquérito civil que apura "possível ato doloso de improbidade administrativa" na ordem de desapropriação do teatro apresentada em maio.


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