PMs suspeitos de sequestrar e torturar jornalista da Record a mando de deputado deixam a prisão
Manaus/AM – Oito policiais militares e um ex-servidor da Assembleia Legislativa de Roraima, suspeitos de sequestrar e torturar o jornalista da Record Romano dos Anjos, foram soltos pela Justiça do Estado nessa terça-feira (11).
Moisés Granjeiro De Carvalho (coronel); Natanael Felipe De Oliveira Junior (coronel); Paulo Cezar De Lima Gomes (tenente-Coronel); Vilson Carlos Pereira Araújo (major); Nadson José Carvalho Nunes (subtenente); Clovis Romero Magalhães Souza (subtenente); Gregory Thomaz Brashe Junior (sargento); Thiago De Oliveira Cavalcante Teles (soldado); Luciano Benedito Valério (ex-servidor), respondem por sequestro qualificado, tortura qualificada, constituição de milícia privada, dano qualificado, roubo majorado, cárcere privado e violação de domicílio qualificado.
Segundo o desembargador Ricardo Oliveira, o grupo, que está preso há pouco mais de 1 ano, vai aguardar a audiência e instrução em liberdade, mas terá que fazer uso de tornozeleira eletrônica e cumprir medidas cautelares.
"Ainda que se reconheça a complexidade da causa, que conta com 11 (onze) denunciados, não me parece razoável que os pacientes – presos há mais de 1 (um) ano – aguardem, indefinidamente, o encerramento do processo, até porque a instrução criminal sequer foi iniciada, tampouco há data designada para a audiência de instrução e julgamento”, declarou.
As investigações em torno do caso apontaram que os nove acusados invadiram a casa da família do jornalista no dia 26 de outubro de 2020, a mando do então deputado estadual Jalser Renier.
Na época, Romano tinha apresentado denúncias contra o político na emissora e foi vítima de vingança. Os suspeitos teriam amarrado a esposa dele dentro da residência, o sequestraram e o levaram para um cativeiro onde ele foi torturado. Ele foi encontrado com os braços e pernas quebrados.
Jalser chegou a ser preso por causa do crime e perdeu o mandato, mas conseguiu a liberdade e ainda processa até hoje o Estado por ter sido algemado. Ele exige uma indenização de meio milhão.
A notícia da soltura do grupo pegou de surpresa o jornalista. Desde a época do sequestro, Romano estava afastado da profissão e retornou um dia antes de os presos conseguirem deixar a prisão.
O benefício foi conseguido porque o advogado de seis deles entrou com o pedido em segunda instância e ganhou. A liberdade acabou se estendendo aos outros três acusados.
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