Combinação de energético e bebida alcoólica pode ser fatal; alerta especialista
Manaus/AM - O consumo de bebidas alcoólicas associado a energéticos, prática comum em festas como o Carnaval, representa um risco significativo para a saúde. A nutróloga Bruna D’ávila, alerta que essa combinação interfere diretamente na forma como o organismo percebe e reage ao álcool.
Enquanto o álcool atua como depressor do sistema nervoso central, os energéticos têm efeito estimulante, elevando hormônios como adrenalina e cortisol. Essa ação oposta cria uma falsa sensação de disposição e controle, mascarando os sinais clássicos da embriaguez. “A pessoa se sente mais alerta, mas continua com prejuízo motor, cognitivo e de julgamento”, explica a especialista.
Segundo D’ávila, a interação desregula o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, aumenta o estresse oxidativo e sobrecarrega as mitocôndrias, além de favorecer desequilíbrios eletrolíticos. Isso eleva o risco de consumo excessivo de álcool sem que o indivíduo perceba seus limites.
Os impactos não se restringem ao momento da ingestão. No coração, a mistura pode provocar taquicardia, arritmias e aumento da pressão arterial. No fígado, há sobrecarga metabólica pela tentativa de processar simultaneamente álcool, cafeína e outros aditivos. No sistema nervoso, os riscos incluem confusão mental, convulsões e comprometimento da neurotransmissão.
Mesmo pessoas jovens e saudáveis estão vulneráveis. Casos de intoxicação aguda, pancreatite, hepatite alcoólica silenciosa e até morte súbita por arritmia já foram associados ao consumo dessa combinação. Palpitações, náuseas, tontura, dores no peito e tremores são sinais de alerta que exigem atenção médica imediata.
A nutróloga acrescenta que quem utiliza “canetas emagrecedoras” e associa álcool com energético potencializa o risco de pancreatite. Do ponto de vista científico, não existe quantidade considerada segura para essa mistura. “Não há evidência que valide essa combinação como segura. Mesmo uma única lata de energético já pode alterar o limiar de intoxicação alcoólica”, reforça.
Como alternativas, Bruna recomenda alimentação equilibrada, hidratação adequada e suplementação orientada por profissionais de saúde. Adaptógenos, vitaminas e estratégias nutricionais podem ajudar a manter a disposição sem expor o organismo aos riscos da mistura. A hidratação constante e uma dieta balanceada também reduzem os efeitos do álcool, protegendo o fígado e evitando sobrecarga renal.
Esse alerta é especialmente relevante em períodos festivos, quando o consumo tende a ser maior e os riscos se intensificam.
ASSUNTOS: Saúde e Bem-estar