Ciência contra o vício: como medicamentos ajudam no controle do alcoolismo
Celebrado neste 18 de fevereiro, o Dia de Combate ao Alcoolismo reforça o alerta sobre o consumo abusivo de álcool, prática que atinge um em cada três adultos no Brasil, segundo o Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas (Obid). O cenário é ainda mais crítico em períodos festivos, como o Carnaval, quando o "beber pesado" se intensifica.
Para enfrentar um problema que causa 3 milhões de mortes anuais no mundo, especialistas destacam que o tratamento moderno vai além da força de vontade, contando com o apoio estratégico de medicamentos.
Medicamentos como "ferramentas", não milagres
De acordo com a farmacêutica Jéssica Cardeal, da rede Santo Remédio, as terapias medicamentosas são fundamentais para controlar o vício, embora não atuem sozinhas. "Eles não fazem milagre, mas são grandes aliados no tratamento", pontua.
As principais opções disponíveis no Brasil incluem:
Naltrexona: Reduz a sensação de prazer ao beber, ajudando a diminuir a vontade e o risco de recaídas.
Dissulfiram: Funciona como um "freio" para quem busca a abstinência total, provocando reações físicas desagradáveis (como náuseas) caso haja ingestão de álcool.
Acamprosato: Auxilia no reequilíbrio cerebral após a interrupção do consumo, ajudando a manter a sobriedade.
O risco da automedicação
Apesar da eficácia, o uso desses fármacos exige prescrição médica rigorosa. A automedicação é perigosa devido a interações medicamentosas graves e efeitos colaterais. A naltrexona, por exemplo, é incompatível com analgésicos opioides, enquanto o dissulfiram reage negativamente até com produtos cotidianos que contenham álcool.
Nesse contexto, o farmacêutico aparece como uma figura estratégica de acolhimento. "É o profissional capaz de orientar sobre o uso correto e encaminhar o paciente para o atendimento médico especializado sem julgamentos", finaliza Jéssica.
ASSUNTOS: Saúde e Bem-estar