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Depois da seca, a enchente: o que fazer?


Por Elizabeth Menezes

28/11/2023 16h50 — em
Ombudsman



Desde agosto enfrentando a maior seca já registrada em 121 anos, uma grande onda de calor e péssimo ar por causa de queimadas em floresta, moradores de Manaus viram cair a chuva tão esperada, nos últimos dias. A chuva desta segunda-feira 27, porém, amenizou o calor, “limpou” o céu, mas também provocou os problemas de sempre. A Defesa Civil registrou tombamento, destelhamento, erosão, rachadura, queda de árvores. De acordo com o noticiário, a zona norte da cidade foi a mais afetada pelo temporal. No centro da cidade a ventania, durante a chuva, derrubou uma árvore e atrapalhou o trânsito. Houve relatos de queda de árvore em estradas que ligam Manaus a municípios da Região Metropolitana, mas sem atingir pessoas. 

Na semana passada, a prefeitura de Manaus entregou materiais a famílias de uma comunidade, na zona leste, que sofreram prejuízos com as chuvas. Houve distribuição de colchões, cestas básicas, lençóis e kits de limpeza doméstica. Parte das famílias foram beneficiadas com o Auxílio-aluguel, no valor de R$ 600, conforme divulgado pela administração municipal. Para o mês de dezembro é esperado o período chuvoso, da mesma forma que a enchente de todos os anos chegará, especialmente nas áreas ribeirinhas de municípios do interior. Nos últimos anos, a enchente tem deixado as ruas da cidade de Anamã (a 162  km de Manaus), debaixo da água. Moradores transitam em barcos, no mesmo espaço em que estão as ruas. 

Em Manacapuru, cidade da Região Metropolitana de Manaus, pontes de madeira em algumas ruas há muito virou realidade para a população. Casas ficam praticamente submersas, moradores se mudam para outros locais, até a volta da normalidade. No ano seguinte, começa tudo de novo. É um fenômeno da natureza, agravado por fatores como agressão ao meio ambiente e outros explicados pela ciência. Seja como for, as regiões de várzea e de igarapés são as que mais sofrem diante dessa realidade. Mesmo a capital, Manaus, durante as grandes cheias, tem a frente da cidade transformada com a subida das águas do rio Negro, o que provoca transtornos à população e prejudica até o comércio do centro. 

Com a obrigação de informar, a imprensa divulga ações das autoridades frente a esses problemas, além de mostrar, pelo menos, uma parte da difícil situação de quem é atingido diretamente pelos dois fenômenos. Neste 2023, ainda teve a invasão de fumaça, e em quantidade tamanha que o ar de Manaus chegou a ser definido como o mais péssimo do mundo, em certos momentos. E assim o Amazonas entrou nas manchetes nacionais e internacionais, de forma negativa. No entanto, a partir de agora, ou nos próximos dias, o assunto seca e fumaça deverá ser substituído pela enchente nossa de cada ano. Os rios Negro e Solimões já começaram a subir. 

Com a volta das águas dos rios, traduzida em enchente, as autoridades já devem ter um planejamento para enfrentar situações como prejuízo de agricultores com a perda da lavoura, por exemplo. Na prática, mesmo sabendo que tem enchente todos os anos, é como se fosse a primeira vez. Pelo menos publicamente, não é explicado a estratégia montada por autoridades para encarar um problema há muito tempo “anunciado” pela natureza. E nunca falhou. Ainda não se sabe, exatamente, o “tamanho” da alagação deste ano, nem as suas consequências, mas é certo que virá.

Também é certo que manchetes sobre seca, fumaça, calor fora do normal e quem sabe até desmatamento, darão lugar às consequências da enchente 2023. E o que a imprensa pode informar ao leitor sobre os passos de autoridades do Amazonas para esse “encontro anunciado” pela natureza? A coluna sugere à Redação do Portal do Holanda, que reservou amplo espaço para divulgação de todas as agruras sentidas pela população do Amazonas desde o mês de agosto, busque respostas.

A essa altura, mesmo ainda sem libertação total da “desgraceira” que recaiu sobre Manaus e o Amazonas, pode-se imaginar/desejar que exista um plano consistente para o próximo “evento”.

O leitor tem direito de saber.

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Elizabeth Menezes, jornalista formada pela Ufam (Universidade Federal do Amazonas), repórter em jornais de Manaus, a exemplo de A Notícia, A Crítica e Amazonas em Tempo. Também trabalhou na assessoria de Comunicação da Assembleia Legislativa.

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