Compartilhe este texto

Boi-bumbá de Parintins: não pode elogiar nem ofender


Por Elizabeth Menezes

28/04/2024 18h20 — em
Ombudsman



Nos últimos três dias de junho deste ano, o Festival Folclórico de Parintins completará 57 anos, sendo que a principal atração é a rivalidade entre os bois-bumbás Caprichoso e Garantido, mostrada no Bumbódromo para o mundo ver. Um dos itens, digamos, mais chamativos do festival é a troca de versos entre os Amos dos bois-bumbás adversários, que sempre se referem ao outro como “contrário”. É uma forma de não pronunciam o nome do outro. Pois esse costume deve mudar a partir deste ano, com o novo regulamento divulgado na quinta-feira 25. Com as novas regras, no item Amo do Boi, ficam proibidos xingamentos e provocações pessoais de um boi para outro. O novo regulamento, assinado por Rossy Amoedo, presidente do Caprichoso e Fred Góes, presidente do Garantido, determina punição para o boi-bumbá que, através do apresentador ou Amo do Boi, “elogiar, ofender ou provocar por palavras, gestos ou qualquer outro meio o Boi-Bumbá adversário ou seus itens”.


 A notícia ganhou ampla repercussão nos veículos de comunicação e redes sociais. Apareceu gente prevendo até o fim do Festival. O Amo do Boi é o representante de cada bumbá e, entre outras funções, tem essa de fazer versos para provocar o adversário (nem sempre de forma sutil) e, de acordo com as manifestações, não faltam ardorosos admiradores.  O diretor-geral deste portal, Raimundo de Holanda, não usou meias palavras para criticar o novo regulamento. Na coluna Bastidores da Política, sob o título “Está proibido brincar de boi em Parintins”, Holanda diz que “o festival não pode perder a sua essência” e define como “censura à torcida, dentro do sambódromo”, impedir o Amo de criticar o rival. Chega ao exagero de sugerir que o regulamento seja jogado na “latrina”. O texto começa se referindo ao “efeito Isabelle” (cunhã-poranga do Garantido ficou em terceiro lugar dentre os finalistas do reality da TV Globo).


“O efeito Isabelle, a cunhã-poranga que participou do ultimo Big Brother e uniu as duas torcidas dos bois Garantido e Caprichoso, está arruinando um festival que é feito de rivalidade, de hostilidade e de uma disputa que está fora do Bumbódromo. Está no coração do povo.  Foi bonita a união em torno da Isabelle. Torcer pelo seu sucesso, comemorar com ela, mas isso passou. Foi apenas um momento. O festival não pode perder a sua essência. A decisão das duas agremiações de impor censura à torcida, dentro do Bumbódromo e impedir que o Amo do boi contrário faça crítica ao rival, mexe inclusive com a história do festival, marcada pelo divisionismo criativo, onde arte tem cor, opinião e liberdade. Na prática, mexeram com a natureza do festival sem compreender que a força desse evento tão importante, não reside apenas nos dois bois, mas também no sentimento das pessoas que moram na cidade ou para lá se deslocam”, escreveu o diretor-geral.


Disse mais: “É curioso como um festival - que pertence a todos e não aos que se julgam donos do Garantido e Caprichoso – é alvo de um golpe desse naipe, sem que as torcidas reajam. Esse regulamento, que impõe censura às torcidas e ao Amo dos bumbás é ridículo, pobre, autoritário e deve ser colocado de onde saiu: na latrina, onde provavelmente essas pessoas que se julgam donas dos bois se inspiraram”.


Diante de manifestação tão enfática do diretor deste portal, é lícito esperar que a Redação inclua o tema nas pautas. É sabido que a participação da cunhã-poranga Isabelle Nogueira no BBB24, resultou em enorme divulgação do festival de Parintins (a 369 km de Manaus), além de fama para ela. Na sua conta no Instagran, Isabelle já alcançou 6,1 milhões de seguidores. Enquanto Marciele Albuquerque, cunhã-poranga do Caprichoso, tem apenas 463 mil seguidores. Marciele manifestou apoio a Isabelle, no BBB24. Caprichoso e Garantido fizeram o mesmo, em palavras e atos. O reality da Globo acabou, o 57º Festival Folclórico de Parintins está marcado para acontecer nos dias 28, 29 e 30 de junho. Altos preços nas passagens de avião e hospedagem na Ilha Tupinambarana para quem deseja ver o festival de perto, já ocupam espaço no noticiário. 

 
Tem muito assunto para constar nas pautas da Redação.

Siga-nos no
Elizabeth Menezes, jornalista formada pela Ufam (Universidade Federal do Amazonas), repórter em jornais de Manaus, a exemplo de A Notícia, A Crítica e Amazonas em Tempo. Também trabalhou na assessoria de Comunicação da Assembleia Legislativa.

E-mail: [email protected]

ASSUNTOS: Ombudsman

+ Ombudsman