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O saldo no troca-troca partidário de vereadores


Por Elizabeth Menezes

11/04/2024 19h08 — em
Ombudsman



Ao final do prazo para trocar de partido sem perder o mandato, 24 dos 41 vereadores da CMM (Câmara de Vereadores de Manaus) optaram por outras siglas. Portanto, mais da metade dos eleitos em 2020 preferiram disputar a reeleição, em outubro deste ano, sob outras legendas. Na contagem final, o Avante, partido do prefeito David Almeida, passou a contar com a maior bancada: cinco parlamentares. Já o MDB, do senador Eduardo Braga, ficou com quatro vereadores, o mesmo número do Republicanos e do União Brasil. PL, Agir, PSD e PSB formam a terceira maior bancada, com três parlamentares. Já o PT, do presidente Lula, manteve o seu único vereador (Sassá da Construção Civil). Teve mais sorte do que o PCdoB, que perdeu Jaildo Oliveira para o PV. Pelo menos, nominalmente. Isso porque PCdoB/PV/PT integram uma federação partidária. Portanto, atuam em conjunto. 

Criadas em setembro de 2021, com uma reforma eleitoral, as federações partidárias foram aprovadas pelo Congresso Nacional, referendadas pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e STF (Supremo Tribunal Federal), valendo para as eleições de 2022. Com a nova ordem, partidos podem se unir para disputar eleições. Tanto majoritárias (presidente da República, governador, senador e prefeito), quanto proporcionais (deputado federal, estadual e distrital e vereador). A diferença entre coligação e federação partidária é que, no primeiro caso, as alianças valem apenas para aquele período eleitoral, enquanto no segundo caso os partidos são obrigados a agir como se fossem apenas uma única bancada, durante quatro anos. Ainda sobre o fim da janela partidária e o troca-troca de legendas, registre-se que seis partidos têm apenas um representante. Se fosse possível juntar todos numa federação, seria a maior bancada da CMM. 

Partidos com apenas um vereador: PSDB, PT, PMDB, Cidadania, PV e PRD. Soa irônico que o PSDB, que já teve presidente do Brasil em dois mandatos (Fernando Henrique), esteja presente apenas num vereador, em Manaus. Em 2022, o PSDB não elegeu nenhum deputado estadual, mas garantiu uma das três vagas no Senado para o ex-vereador Plínio Valério. Igualmente o PT de Luiz Inácio Lula da Silva, pela terceira vez na presidência da República, tem apenas um vereador dentre 41 e, na Aleam (Assembleia Legislativa do Amazonas), apenas o deputado Sinésio Campos representa o partido. No Congresso, o PT do Amazonas não tem deputado federal e nem senador. Na eleição deste ano, Lula já manifestou apoio ao ex-deputado federal Marcelo Ramos, recém-petista, para disputar a prefeitura de Manaus. Passada essa fase de acomodação partidária, o caminho fica aberto para a corrida no rumo da cadeira de prefeito.

David Almeida ganhou ou perdeu com o troca-troca? 

Nem é preciso dizer que todos os veículos de comunicação abriram grande espaço para o resultado final das mudanças de partidos. O próprio site da CMM divulgou os dados, confirmando que “24 parlamentares optaram por novas siglas para o pleito 2024”. Porém, além de informar sobre nomes e números, teve gente fazendo contas sobre a quantidade de vereadores que apoiariam o prefeito David Almeida na reeleição. Com resultados diferentes: 20 e 18. Outras contas deverão ser feitas e mostradas no decorrer da campanha. Afinal, nem precisa grandes cálculos de matemática, mas apenas simples exercício de aritmética.    

Com mais uma etapa vencida para a eleição de outubro, as atenções estarão voltadas para a consolidação das candidaturas a prefeito, a se concretizar nas convenções partidárias. A partir daí, a disputa começa para valer. E Manaus, que nunca elegeu mulher para a prefeitura (idem para o governo estadual), pode ter a chance de escolher um nome feminino na urna eletrônica deste 2024. Logo, o tema estará nas discussões que passarão a ser mais frequentes a partir de agora. 

E tudo será acompanhado e divulgado pela mídia, responsável pela tarefa de bem informar.

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Elizabeth Menezes, jornalista formada pela Ufam (Universidade Federal do Amazonas), repórter em jornais de Manaus, a exemplo de A Notícia, A Crítica e Amazonas em Tempo. Também trabalhou na assessoria de Comunicação da Assembleia Legislativa.

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