Mais de um século depois, os efeitos perversos resultados da Primeira Guerra Mundial ainda podem ser visíveis em alguns países europeus como a França.
Naquele país, uma área de cerca de 100 quilômetros quadrados, quase o mesmo tamanho de Paris, Verdun-sur-Meuse, permanece isolada e proibida de acesso, pela enorme quantidade de explosivos e restos de munição prontas para explodir a qualquer momento.
A área foi um dos principais cenários da Batalha de Verdun, ocorrida em 1916, entre alemães e franceses, avaliadas como uma das mais violentas e sangrentas da Primeira Guerra Mundial, devido ao uso de grande quantidade de bombas e armas usadas nos combates e deixadas ali. Mais de 300 mil pessoas morreram durante a batalha.
E para aumentar mais os riscos, restos humanos e de animais mortos no conflito podem ser encontrados por toda a região, assim como os produtos químicos advindos das munições e bombas, que contaminaram tanto a água quanto o solo do local, tornando-o inapropriado para qualquer tipo de produção agrícola nas redondezas.
A história é macabra, especialmente quando se compara o requinte da arte e da cultura francesa. Naquela área, considera “zone rouge”, ou seja, zona vermelha, em português, ninguém pode entrar e nada pode ser construído lá, devido ao alto risco de explosão e contaminação por gases venenosos usados pelos dois exércitos.
ARSÊNICO NO SOLO
Em 1946, houve a primeira operação para eliminar armas e bombas não explodidas no território, mas durante a operação, houve novas vítimas causadas por bombas não explodidas.
Somente no ano de 2004, os pesquisadores descobriram níveis de arsênico no solo de até 300 vezes maiores do que o permitido, mas o acesso ao local só foi totalmente proibido em 2012.
Pesquisadores avaliaram que a porcentagem de arsênico é de 17%, resultado de milhões de projéteis cheios de arsênico disparados durante a batalha. E há também resquícios de contaminação por chumbo, zinco e mercúrio.
Até o ano de 2004, houve o registro de acidentes com mortes de homens dirigindo tratores sendo explodidos pelos ares.
Desde então, a área tornou-se uma região fantasma, onde os espectros são as vítimas das guerras e suas armas e pólvora usados ali.
Em 2012, o governo proibiu oficialmente o acesso ao local, depois de ter constatado o perigo. As autoridades calculam que levará de 300 a 700 anos para limpar a área totalmente para torná-la habitável novamente.


