Papiros encontrados na Índia de 2000 anos a.C, já registraram o uso de técnicas rudimentares visando a reconstrução de partes do corpo, especialmente do nariz, por conta de mutilações usadas por hindus para castigar pessoas.
Mas foram as guerras que estimularam a prática de procedimentos cirúrgicos plásticos destinados a atender soldados vítimas de tiros e bombas na Primeira Guerra Mundial (1914 a 1918), estimulando a especialização de cirurgiões em reparações corporais e faciais, hoje conhecidos como cirurgias plásticas.
O pioneiro nesse item foi o médico neozelandês Harold Gillies, que acabou por revolucionar a medicina nessa área.
Inicialmente, as feridas abertas eram apenas costuradas e acabavam por originar cicatrizes enormes, marcando o corpo para sempre. Gillies, no entanto, começou a fazer intervenções buscando amenizar o problema, recrutando uma equipe que incluía não apenas médicos, mas também desenhistas, escultores e fotógrafos, ou seja, pessoas capazes de esculpir rostos a partir de carne viva.
PRIMEIRA CIRURGIA
Realizada em 1917, na Inglaterra, a primeira cirurgia plástica facial foi um desafio para encontrar maneiras de cultivar tecido para preencher as lacunas causadas por explosões.
Gillies desenvolveu uma técnica que consistia na retirada de um tubo de pele saudável de um local não atingido, do peito ou costas, para conectar uma das extremidades do tubo ao local em que o transplante seria realizado, mantendo o fluxo sanguíneo.
Dessa forma, a pele conseguia se regenerar naturalmente no local de onde ela foi inicialmente retirada e após o enxerto, o tubo podia ser removido.
O primeiro paciente submetido a essa técnica foi Walter Yeo, que aos 25 anos havia sofrido um acidente com uma arma que causou profundas queimaduras e a perda das pálpebras inferiores e superiores.
Com a técnica, Gillies e sua equipe multidisciplinar conseguiram excelentes resultados trabalhando com retalhos e enxertos de pele e ossos das costelas transplantados. Esse médico foi também foi responsável pela primeira cirurgia de mudança de sexo de feminino para masculino.
A equipe de Gillies atendeu, entre os anos de 1917 e 1925, cerca de 5 mil pacientes e graças ao caráter experimental multidisciplinar, contribuiu grandemente para o avanço das cirurgias plásticas.
Na Segunda Guerra Mundial, ele também organizou equipes para atender aos soldados.


