O que deveria ser a realização de um sonho estético transformou-se em um pesadelo de sete meses para uma mulher de 53 anos. Após ser submetida a uma abdominoplastia em outubro do ano passado, a paciente descobriu que uma tesoura cirúrgica de mais de 15 centímetros foi esquecida dentro de seu abdômen. O caso, que chocou a Itália, foi revelado pelo jornal Corriere della Sera e detalhado pela emissora RAI .
O procedimento original ocorreu no dia 20 de outubro, na clínica Villa delle Querce, em Nápoles. Logo após receber alta, a paciente passou a sofrer com dores abdominais severas, chegando a perder os sentidos em uma ocasião.
Segundo a denúncia apresentada às autoridades, o cirurgião responsável minimizou os sintomas, afirmando à família que o mal-estar era "normal" para o período pós-operatório. Mesmo após exames de sangue indicarem uma infecção persistente, o médico recomendou apenas o uso de antibióticos, sem investigar a causa física da dor.
A verdade só apareceu na semana passada, quando a mulher, que reside na região da Emília-Romanha, realizou uma tomografia computadorizada. As imagens revelaram o instrumento cirúrgico alojado na região subcutânea.
"Depois de sete meses, finalmente respiramos aliviados. É um milagre que mamãe ainda esteja aqui conosco", desabafou Emilia, filha da paciente, em entrevista à RAI.
A tesoura foi removida em uma nova intervenção cirúrgica de emergência no hospital Fatebenefratelli. A família relatou que o cirurgião que cometeu o erro se ofereceu para realizar a retirada, mas a proposta foi recusada por falta de confiança e medo.
O caso agora está nas mãos da Promotoria de Nápoles. A paciente formalizou uma denúncia contra o cirurgião por erro médico e negligência. Além disso, a defesa da vítima, representada pelo advogado Francesco Petruzzi, questiona a conduta do centro diagnóstico onde a tomografia foi feita.
Há suspeitas de que o cirurgião tenha sido informado sobre a presença do objeto estranho antes mesmo da paciente, levantando questões sobre uma possível tentativa de ocultação do erro. A mulher conta agora com o apoio da Fundação Domenico Caliendo, especializada na defesa de vítimas de negligência médica.




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