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STF libera movimentação de contas de apostas para quem recebe auxílio social

STF libera movimentação de contas de apostas para quem recebe auxílio social
STF libera movimentação de contas de apostas para quem recebe auxílio social

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu nesta sexta-feira (19) a medida que obrigava empresas de apostas esportivas, as chamadas "bets", a bloquearem e encerrarem contas de beneficiários de programas sociais. A restrição estava em vigor desde outubro, após o Ministério da Fazenda editar normas para impedir que inscritos no Bolsa Família e no Benefício de Prestação Continuada (BPC) utilizassem os recursos assistenciais em jogos de azar. Com a nova decisão, o bloqueio total dessas contas fica interrompido temporariamente, atendendo a um pedido de entidades do setor de jogos e loterias.

Apesar da liberação para o funcionamento das contas, Fux manteve restrições importantes para proteger o erário e as famílias vulneráveis. Continua expressamente proibido o uso direto de recursos do Bolsa Família para a realização de apostas, assim como a abertura de novos cadastros por beneficiários desses programas. O desbloqueio determinado pelo ministro refere-se exclusivamente a valores que excedam o montante recebido via benefícios sociais, permitindo que o cidadão movimente recursos de outras origens em suas contas já existentes nas plataformas.

A decisão atende a um pleito da Associação Nacional de Jogos e Loterias, que argumentou que as regras impostas pelo governo federal extrapolaram o entendimento fixado pelo STF em 2024. Segundo a entidade, a determinação anterior do Supremo visava apenas impedir o uso de verbas assistenciais nas apostas, mas não deveria resultar no banimento completo do acesso dessas pessoas às plataformas. Para a associação, a medida governamental acabou por ferir direitos individuais ao impedir a movimentação de valores que não compõem o auxílio estatal.

O impasse jurídico deve ganhar uma definição mais sólida apenas no início de 2026. Luiz Fux estabeleceu que a atual decisão terá validade até fevereiro de 2026, mês em que o STF realizará uma audiência de conciliação para debater o tema com profundidade. O encontro reunirá representantes do governo federal e de entidades do setor de apostas para buscar um equilíbrio entre a liberdade individual de consumo e a proteção necessária aos programas de transferência de renda, fundamentais para o combate à fome e à pobreza no país.

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