Compartilhe este texto

Promotora de Justiça do Rio de Janeiro recebe até R$ 3 milhões em um único ano

Por Portal Do Holanda

19/02/2026 12h05 — em
Brasil


Foto: MP-RJ

Um levantamento realizado pela Folha de S.Paulo, com base em dados dos portais da transparência e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), revela que a elite do funcionalismo público brasileiro recebeu cifras que chegam a R$ 3,1 milhões em um único ano. O montante, referente ao período entre agosto de 2024 e julho de 2025, expõe vencimentos que superam drasticamente o teto constitucional de R$ 46,36 mil mensais, estabelecido pelo salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

A liderança do ranking de maiores remunerações é ocupada pela promotora de Justiça Maria de Nazaré Magalhães, do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ). No intervalo de 12 meses analisado, ela acumulou R$ 3,1 milhões líquidos. Segundo o órgão, o valor astronômico justifica-se pela soma de vencimentos da ativa com parcelas de pensão de seu falecido cônjuge, além de verbas indenizatórias decorrentes de acúmulo de funções e substituição de férias.

O estado de Santa Catarina também se destaca no levantamento, concentrando oito dos dez maiores rendimentos do país. A juíza aposentada Maria da Conceição Mendes, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC), figura em segundo lugar com ganhos de R$ 2,6 milhões no período. A maior parte dessa cifra — cerca de R$ 2,2 milhões — é composta por "direitos eventuais", termo que engloba pagamentos retroativos e indenizações autorizadas pela corte.

Outros nomes citados na lista incluem os juízes aposentados José Clésio Machado (R$ 2,59 milhões) e Ademir Wolff (R$ 2,58 milhões). Questionado pela reportagem, Wolff limitou-se a declarar que o tribunal deveria explicar os motivos do pagamento. Em nota oficial, o TJ-SC defendeu a legalidade das cifras, afirmando que os repasses seguem normas do CNJ para quitar verbas não pagas anteriormente, visando evitar que os magistrados recorram à justiça comum.

A proliferação desses "penduricalhos" — como auxílio-saúde, licenças-prêmio convertidas em dinheiro e adicionais por tempo de serviço — ocorre em um vácuo de regulamentação que permite aos órgãos do Judiciário e do Ministério Público utilizarem sua autonomia administrativa. Especialistas como Fernanda de Melo, da organização República.org, apontam que essas carreiras atingem o topo salarial rapidamente, criando pressão interna pela criação de benefícios extras que não fiquem retidos pelo teto constitucional.

O cenário de expansão dos supersalários enfrenta resistência recente na esfera jurídica e legislativa. O ministro Flávio Dino, do STF, suspendeu pagamentos de novos penduricalhos nos três Poderes, determinando que apenas verbas estritamente indenizatórias previstas em lei podem ser pagas fora do teto. Enquanto isso, o Congresso Nacional discute propostas que tentam, simultaneamente, criar novas gratificações para servidores do Legislativo e regulamentar o limite de ganhos no serviço público.


Siga-nos no
O Portal do Holanda foi fundado em 14 de novembro de 2005. Primeiramente com uma coluna, que levou o nome de seu fundador, o jornalista Raimundo de Holanda. Depois passou para Blog do Holanda e por último Portal do Holanda. Foi um dos primeiros sítios de internet no Estado do Amazonas. É auditado pelo IVC e ComScore.

ASSUNTOS: Brasil

+ Brasil