Ministros reagem com indignação a vazamento seletivo de encontro reservado
O clima nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF) atingiu um novo patamar de tensão nesta sexta-feira (13). O que deveria ser a pacificação da Corte após a saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do "Caso Master" transformou-se em uma crise de desconfiança generalizada. Magistrados suspeitam que reuniões privativas foram gravadas clandestinamente após o portal Poder360 publicar diálogos literais dos encontros.
A suspeita de grampo ou vazamento deliberado recai sobre as três reuniões realizadas na última quinta-feira. Em uma delas, um encontro preparatório no gabinete da presidência, participaram apenas cinco ministros: Luiz Edson Fachin, Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia. Nenhum assessor esteve presente.
Segundo relatos colhidos junto a integrantes da Corte, o conteúdo publicado é considerado "fidedigno" em grande parte, reproduzindo frases exatas ditas pelos magistrados. No entanto, o que mais intrigou os ministros foi a seletividade do relato.
Membros do STF afirmam que trechos negativos a Dias Toffoli foram omitidos da publicação, enquanto frases favoráveis a ele foram destacadas. "A sensação é de que alguém dentro da sala gravou tudo. É uma traição", desabafou um ministro sob reserva. Outro magistrado classificou o episódio como uma "quebra de confiança sem precedentes", afirmando que falas foram distorcidas para favorecer o "vazador".
Procurado para comentar as suspeitas de seus pares, o ministro Dias Toffoli negou categoricamente qualquer irregularidade. Em nota à GloboNews, classificou a informação como "totalmente inverídica" e afirmou que "nunca gravou ninguém" em sua vida.
A reportagem que originou a crise afirma que, em uma das reuniões, o placar era amplamente favorável a Toffoli: oito dos dez ministros teriam defendido sua permanência na relatoria do inquérito que apura fraudes financeiras. Apenas o presidente Luiz Edson Fachin e a ministra Cármen Lúcia teriam votado pela saída do colega.
Um dos trechos mais polêmicos atribuídos à ministra Cármen Lúcia reflete o desgaste da imagem do tribunal: "Todo taxista que eu pego fala mal do Supremo. A população está contra o Supremo", teria dito a magistrada durante o debate.
A divulgação do conteúdo das reuniões "atordoou" o tribunal. Para os ministros, mesmo que não tenha havido uma gravação física, a transmissão de diálogos literais para a imprensa destrói o ambiente de colegialidade necessário para as decisões da Corte.
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