Mensagens revelam rede de adulteração de bebidas com metanol em São Paulo
A Polícia Civil revelou novas provas sobre o esquema de adulteração de bebidas alcoólicas com metanol, substância altamente tóxica e responsável por intoxicações graves e mortes recentes em São Paulo. Mensagens e áudios apreendidos em celulares de investigados mostram como funcionava a rede clandestina de falsificação e distribuição.
De acordo com as investigações, o grupo liderado por Vanessa Maria da Silva, já condenada por falsificação de bebidas, utilizava normalmente etanol para adulterar os produtos, mas em alguns casos passou a empregar metanol, o que elevou drasticamente os riscos.
A produção era realizada em uma fábrica clandestina localizada em São Bernardo do Campo (SP) e contava, supostamente, com a participação do pai, do cunhado e do ex-marido de Vanessa. A mulher foi condenada a sete anos de prisão pela morte de duas pessoas em 2025, em decorrência do consumo das bebidas adulteradas.
Uma terceira vítima ficou cega. Segundo as autoridades, embora Vanessa negue as acusações, a polícia apreendeu na garagem da casa dela diversos materiais usados na adulteração e coletou mensagens em que ela aparece falando sobre a situação. Em uma delas, uma revendedora relata reclamações de uma cliente:
“Ela falou: eu cheirei aqui, é puro álcool. Então, numa dessas, já pensou se dá um problema e a pessoa vai parar no hospital? A pessoa está pensando que está tomando vodca e está tomando álcool? Isso é grave”, disse a mulher.
Em outra mensagem, um comerciante afirma que decidiu recolher as bebidas compradas de Vanessa, mas ela tenta tranquilizá-lo dizendo que não haveria problema. Durante o julgamento, porém, Vanessa negou qualquer envolvimento com a adulteração e atribuiu a culpa inteiramente ao ex-marido:
“Eu não vendo esses tipos de coisas (...) Eu sabia que o material estava lá, mas não sei de onde vem. Contando também que meu ex-marido, ele também já trabalhou com isso, então eu não sei se era de algum inquilino ou dele mesmo”, declarou.
O cunhado de Vanessa confessou a adulteração de bebidas, mas afirmou que utilizava produtos mais baratos e não metanol. Ele também disse que Vanessa participava do esquema.
A crise das bebidas adulteradas, registrada no fim de 2025, provocou centenas de casos de intoxicação e 25 mortes, levando a Receita Federal a deflagrar a Operação Alquimia, que apura o desvio de metanol de empresas de fachada ligadas aos setores de combustível e bebidas.
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