Após 7 anos, Justiça inicia audiências sobre a tragédia de Brumadinho
Sete anos após o rompimento da barragem de rejeitos da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), que resultou na morte de 272 pessoas, a justiça brasileira finalmente começa a dar passos importantes para responsabilizar os envolvidos. O desastre, ocorrido em 25 de janeiro de 2019, deixou famílias devastadas e gerou um longo processo de espera por justiça. A partir de 23 de fevereiro de 2026, começam as audiências de instrução, que podem finalmente levar 15 réus ao banco dos acusados. Entre os acusados, estão 11 ex-diretores e engenheiros da Vale, e 4 funcionários da TÜV SÜD, empresa contratada para monitorar a segurança da barragem.
A tragédia é definida por especialistas como "crime ambiental" e "crime de negligência", uma vez que o rompimento da barragem poderia ter sido evitado com a devida fiscalização. No entanto, passados 2.557 dias do desastre, ainda não há condenações. As audiências serão realizadas na 2ª Vara Federal Criminal de Belo Horizonte, e até 2027, vítimas, testemunhas e réus serão ouvidos. A juíza federal Raquel Vasconcelos Alves de Lima poderá, ao final deste processo, decidir se levará o caso a um julgamento de júri popular.
A jornalista Cristina Serra, autora do livro Tragédia em Mariana, relaciona o caso de Brumadinho a outros acidentes ambientais envolvendo empresas de mineração, como o rompimento da barragem de Mariana, em 2015, e o afundamento do solo em Maceió, em 2018. Para ela, o padrão de negligência nas empresas de mineração é evidente. Essas companhias, segundo a jornalista, priorizam o lucro em detrimento da segurança, e a fiscalização pública falha ao não realizar vistorias eficazes, tratando os processos de licenciamento como simples formalidades burocráticas.
Em nota, a Vale informou que não comenta sobre as ações judiciais em andamento, mas ressaltou que está avançando nas reparações dos danos causados pela tragédia. A empresa afirma que 81% do Acordo Judicial de Reparação Integral foi executado, e que segue investindo na recuperação socioambiental da região, além de garantir abastecimento hídrico e promover iniciativas de diversificação econômica. A Samarco, envolvida no desastre de Mariana, também manifestou sua solidariedade às vítimas, destacando as ações de reparação que vêm sendo realizadas, incluindo indenizações e projetos de recuperação ambiental.
Neste domingo, 25 de janeiro de 2026, a Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem da Mina Córrego do Feijão (AVABRUM) realizará um ato em memória das 272 vítimas. O evento acontecerá no Letreiro de Brumadinho, na entrada da cidade, e busca não só lembrar as vidas perdidas, mas também cobrar respostas da justiça e das empresas responsáveis pela tragédia.
ASSUNTOS: Brasil