Fraudes do Banco Master podem chegar a R$ 12 bilhões, diz PF
As fraudes financeiras em investigação envolvendo o Banco Master podem chegar a R$ 12 bilhões, segundo o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A informação foi dada na CPI do Crime Organizado, horas após a prisão do presidente da instituição, Daniel Vorcaro, e de quatro diretores nesta terça-feira (17). O esquema mira a venda de títulos de crédito falsos e teria contado com participação de dirigentes do BRB.
Rodrigues destacou que só na casa de um dos investigados foram encontrados R$ 1,6 milhão em espécie. Ele afirmou que a PF, o Banco Central e o Coaf atuam juntos na operação, que também apura crimes como gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa.
Como funcionava o esquema
As investigações indicam que o Banco Master emitiu R$ 50 bilhões em CDBs prometendo juros acima do mercado e sem comprovar liquidez. Para simular solidez, o banco aplicou parte desse valor em “ativos” inexistentes ligados à empresa Tirreno e, logo depois, vendeu esses créditos ao BRB por R$ 12,2 bilhões, sem documentação.
O BRB teria injetado R$ 16,7 bilhões no Master entre 2024 e 2025, sendo ao menos R$ 12,2 bilhões em operações com fortes indícios de fraude. Essas transações ocorreram enquanto o BRB tentava convencer órgãos de fiscalização de que tinha condições de comprar o Banco Master.
Prisões, afastamentos e liquidação do banco
Daniel Vorcaro foi preso no aeroporto de Guarulhos quando embarcava para Malta. Ao todo, foram cumpridos 7 mandados de prisão e 25 de busca e apreensão em cinco estados. A defesa nega tentativa de fuga. Após as prisões, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, encerrando imediatamente suas operações e interrompendo a compra anunciada por um consórcio privado. O impacto também atingiu o BRB: o presidente Paulo Henrique Costa e o diretor Dario Garcia Junior foram afastados por 60 dias. O BRB afirma que sempre atuou conforme normas de compliance e prestou todas as informações às autoridades.
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