Dono do Banco Master Daniel Vorcaro é transferido em meio à investigação de fraudes
O banqueiro Daniel Vorcaro, presidente e proprietário do Banco Master, foi transferido nesta segunda-feira (24) da custódia da Polícia Federal em São Paulo para uma unidade prisional em Guarulhos. A medida ocorre após a sua prisão, efetuada no dia 18, sob a suspeita de envolvimento em graves irregularidades financeiras. A investigação conduzida pela PF aponta para a prática de crimes como gestão fraudulenta e participação em organização criminosa, com um foco inicial em transações que, segundo estimativas policiais, envolveriam valores na casa dos R$ 12 bilhões.
Um dos principais pontos de atenção da investigação é a venda de carteiras de crédito supostamente fraudulentas ao Banco de Brasília (BRB). Paralelamente, a instituição é examinada pela emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com taxas de retorno significativamente acima da média de mercado, levantando suspeitas sobre a liquidez e a promessa de rendimentos potencialmente irreais aos investidores. A Justiça Federal, ao rejeitar um pedido de habeas corpus e manter a prisão de Vorcaro, destacou que os indícios robustos de fraude e a tentativa reiterada dos acusados em obstruir as investigações foram fatores determinantes para a decisão.
Além de Vorcaro, a operação da Polícia Federal resultou na prisão de outros sete suspeitos ligados ao suposto esquema, embora dois deles já tenham sido liberados. Em defesa de seu cliente, a equipe jurídica do banqueiro refutou publicamente a estimativa da Polícia Federal sobre a magnitude da fraude, negando que haja qualquer esquema envolvendo o montante de R$ 12 bilhões. Sobre as transações com o BRB, a defesa argumenta que o Banco Master adquiriu as carteiras de crédito de terceiros, que seriam os responsáveis pela documentação original, e que a cessão ao BRB estava amparada por uma série de garantias contratuais para a segurança das partes.
Enquanto a defesa aguarda a análise de um novo pedido de habeas corpus pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), que ainda não tem data definida para ser julgado, o caso segue em aberto.
Veja também
ASSUNTOS: Brasil