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Promotoria quer investigar cinco anos de dados fiscais de alvos de operação em São Bernardo

Por Folha de São Paulo

21/08/2025 12h00 — em
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Ministério Público e a Polícia Federal querem investigar registros fiscais e bancários retroativos a julho de 2020 dos envolvidos em um suposto esquema de corrupção e lavagem de dinheiro na Prefeitura de São Bernardo do Campo.

Na última quinta-feira (14), o prefeito da cidade, Marcelo Lima (Podemos), foi afastado do cargo, assim como o primo dele, o presidente da Câmara Municipal de São Bernardo, Danilo Lima (Podemos).

Também foram afastados um vereador, além de servidores municipais e da Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo), entre eles Paulo Iran Paulino da Costa, apontado pela Promotoria como operador do esquema.

Na segunda-feira (18), o grupo foi denunciado, junto com outros investigados, sob acusação de corrupção e lavagem de dinheiro.

A Justiça atendeu, segundo o Ministério Público, ao pedido de quebra de sigilo de 34 alvos da investigação, lista que inclui pessoas físicas e empresas que estariam envolvidas no esquema.

A PF cumpriu mandados na semana passada em São Paulo, São Bernardo do Campo, Santo André, Mauá e Diadema, na ação chamada Operação Estafeta. A Justiça negou a prisão de Lima, mas determinou o uso de tornozeleira eletrônica como medida cautelar.

Após o afastamento do prefeito, com prazo de um ano, a sargento licenciada da Polícia Militar Jessica Cormick (Avante) assumiu o cargo. Ela assinou o termo de substituição na sexta-feira (15). A ação da PF ocorreu a poucos dias do aniversário da cidade, que comemorou 472 anos nesta quarta-feira.

Já a Câmara, que terá sessão solene para comemorar a data na próxima sexta-feira, passou a ser presidida pela vereadora Ana Nice (PT).

Enquanto a ação da semana passada apreendeu mais de R$ 3,2 milhões somente em dinheiro, segundo a Polícia Federal, outros R$ 14 milhões haviam sido apreendidos em julho de 2025 com Paulo Iran.

Essa apreensão, ocorrida por acaso, segundo a Polícia Federal, deu início à investigação que culminou com os pedidos de quebra de sigilo dos alvos, chamados pela Promotoria de rede criminosa complexa. A defesa dele tem dito que vai se manifestar nos autos do processo.

De acordo com o inquérito, a organização atuava por meio do recebimento ilícito de recursos de empresas com contratos com a prefeitura ou com a Fundação ABC em serviços de coleta de resíduos, engenharia, informática e saúde.

Em nota enviada anteriormente, a Prefeitura de São Bernardo do Campo disse que iria colaborar com as investigações. "A gestão municipal é a principal interessada para que tudo seja devidamente apurado. Reforçamos que o episódio não afeta os serviços na cidade."

Já a fundação disse ter tomado conhecimento da ação da PF com perplexidade e que não havia sido procurada por autoridades policiais ou judiciais para prestar esclarecimentos ou informações e que está à disposição. Também afirmou que não compactua com práticas que contrariem o interesse público.


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