Pediatras alertam sobre efeitos dos games na saúde dos adolescentes
Supervisionar o consumo dos jogos on-line e avaliar a maturidade do adolescente são práticas indispensáveis que pais precisam adotar. Essa é a recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) no recém publicado documento científico “Adolescentes, Jogos Eletrônicos e Gaming Disorder. Quando utilizados sem controle, os jogos podem causar distúrbios do sono, inatividade física, transtornos de humor e até o Gaming Disorder, a dependência recorrente e persistente da internet para games.
Segundo os especialistas do Departamento de Medicina do Adolescente da SBP, responsáveis pela publicação, é fundamental entender que os instrumentos tecnológicos são, em princípio, “neutros”; e que adquirem significado “positivo ou negativo” conforme seu uso. “Esse conceito alerta para que não se assuma uma postura maniqueísta, apresentando jogos eletrônicos, mídias sociais e outros dispositivos eletrônicos sempre como vilões”, diz o texto.
“Fortalecer as conexões familiares é o caminho para tornar os jogos mais seguros. Os adultos precisam ajudar, se fazendo presentes, para explicar o que são situações e representações fictícias em comparação com as expectativas sociais da vida real, ressaltando sempre a importância do respeito aos valores éticos”, recomendam os pediatras.
Efeitos positivos - Algumas pesquisas relacionam os jogos digitais com desfechos positivos: estímulo ao desenvolvimento cognitivo e motor; aprimoramento de habilidades sociais, como trabalho em equipe, liderança, negociação, comunicação e autossuperação; além dos sentimentos de satisfação e lazer oriundos do entretenimento. Também não há evidências de que os games, quando utilizados de forma adequada, afetem negativamente a proximidade familiar e o engajamento escolar.
“Ao invés da passividade proposta pela tela que exibe um programa de TV ou uma série, no jogo o indivíduo faz parte de uma experiência ativa, compartilhada, em que toma decisões o tempo todo e arca com as consequências delas. Os chamados exergames, junção dos conceitos de exercício físico e games, são um exemplo promissor para a promoção de comportamentos benéficos. Os exergames de dança já são altamente populares entre os jovens e têm potencial para aumentar a prática de atividade física em pacientes previamente sedentários”, destacam os pediatras.
Perigos - Entre as repercussões negativas, a mais recorrente é a diminuição da quantidade e da qualidade do sono em função do uso dos jogos durante a noite. “Jogar nesse horário está relacionado a uma diminuição do sono total e a alterações arquitetônicas no sono que acarreta uma infinidade de outros efeitos indesejáveis à saúde, entre eles, diminuição do desempenho acadêmico, irritabilidade, transtornos de humor e inatividade física”, explica a publicação.
Outra questão central tem sido o estímulo dos jogos ao comportamento agressivo. Segundo a SBP, as evidências são suficientes para sugerir que, ao reproduzir vídeos violentos, os jogos podem contribuir para atitudes mais agressivas. No entanto, atribuir violência a videogames violentos não é um desfecho fechado em si e desvia a atenção de outros fatores, enraizados em nossa sociedade, que contribuem para a violência.
“Os games reúnem condições para o comportamento tóxico: o anonimato e o elemento competitivo, desenhado para que haja o desejo de vencer, de aniquilar o adversário. Num contexto de excitação dos jogadores, por vezes há gritos, xingamentos e desaforos. Em algumas comunidades, essa agressividade segue sendo um problema, bem como questões como machismo, racismo, homofobia e xenofobia”, ponderam.
Gaming Disorder - O documento traz ainda um alerta a respeito da dependência em jogos eletrônicos (Gaming Disorder), oficialmente reconhecida como um distúrbio de saúde mental, o problema é caracterizado quando há, obrigatoriamente, a existência de três fatores centrais, por pelo menos 12 meses, num padrão persistente ou recorrente, sendo eles:
● Perda de controle (frequência, intensidade e duração) sobre o jogar. Nesses casos, o adolescente joga por mais tempo do que tinha planejado e não consegue parar de jogar na hora estabelecida.
● Aumento de prioridade dada ao jogar, que se sobrepõe a outros interesses e atividades diárias (sono, alimentação, estudo e relacionamentos).
● Continuidade ou mesmo aumento da atividade de jogar apesar da ocorrência de consequências negativas. Este padrão é de intensidade suficiente para resultar em prejuízo significativo em nível pessoal, familiar, social, educacional, ocupacional ou em outras áreas da vida.
Diante desse cenário, é fundamental a qualificação de um pediatra para a correta avaliação do adolescente, pois, a despeito das queixas muitas vezes repetidas pelos pais sobre “filhos que jogam exageradamente”, a maioria deles não vivencia consequências negativas. “Revisões sistemáticas e metanálises apontam que a prevalência mundial de Gaming Disorder é de aproximadamente 1,9%”.
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ASSUNTOS: Saúde e Bem-estar