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Maioria dos casais têm até 3 relações por mês; é possível ser feliz com pouco sexo?

Por Portal Do Holanda

15/12/2023 16h49 — em
Saúde e Bem-estar


Foto: Reprodução / Freepik

Na sociedade atual, a presença da sexualidade é inescapável, envolvendo-nos completamente. Essa presença não é nova; sempre existiu. Tradicionalmente, o intenso desejo sexual que leva muitos à impulsividade, traição e ações tolas tem sido direcionado para o casamento, namoro ou para a intimidade conjugal vitalícia. Entretanto, à medida que a paixão inicial se desvanece e os relacionamentos perduram, a vontade sexual frequentemente diminui.

Um estudo da Sociedade Internacional de Medicina Sexual revela que, em média, 35% dos casais mantêm de uma a três relações por mês. Em casos extremos, cerca de 5% têm apenas um ou dois encontros anuais. Mas o que acontece quando o casal se afasta do sexo? É possível manter o relacionamento satisfatoriamente quando o sexo deixa de ser parte essencial?

“As relações de casal em que não há atividade sexual são mais comuns do que muitas pessoas pensam. Principalmente se entendermos por atividade sexual a penetração associada ao orgasmo”afirma Laura Morán, psicóloga, sexóloga e terapeuta familiar. Em seu livro "Perfeitamente Imperfeitos", ela oferece diretrizes para relacionamentos funcionais.

“Para muitas pessoas, as relações sexuais podem ser consideradas importantes, mas não são urgentes. Se precisarmos riscar algo da lista, geralmente subtraímos horas de sono e de prazer. Devido ao nosso ritmo de vida frenético, renunciamos a coisas que são relevantes, mas não vitais” continua.

Segundo Morán, a vontade ou falta dela para o sexo resulta de diversos elementos individuais e da dinâmica do relacionamento.

“Um dos grandes problemas pode ser o estresse, que, em geral, dificulta nossa capacidade de experimentar prazer. Quando você está alerta, fica preparado para sobreviver, não para desfrutar. Além disso, as relações sexuais são as primeiras prejudicadas quando há desentendimentos, conflitos ou atritos não resolvidos no relacionamento. Muitas vezes, embora o problema apareça na cama, ele se originou fora dela” explica.

Ter filhos, que muda a dinâmica, ou enfrentar questões de saúde mental e física, são outros fatores que podem afetar a vida sexual do casal. Não há uma regra única para determinar a normalidade sexual num relacionamento; depende de cada casal e das fases da vida. A ausência de atividade sexual nem sempre indica um problema no relacionamento.

“ Se uma parte quer ter relações sexuais e a outra não, é quando os problemas surgem, porque é muito possível que a pessoa rejeitada não sinta que está sendo rejeitado apenas o ato físico de deitar-se, mas sinta uma rejeição contra sua própria pessoa. Por isso, é importante trabalhar nos matizes do não” explica Laura Morán.

Para Silvia Sanz, psicóloga e autora do livro "Sexamor", a falta de atividade sexual pode não refletir um problema no relacionamento, já que alguns casais têm uma forte conexão emocional sem uma atividade sexual frequente, enquanto outros têm intensa intimidade física, mas falham em outras áreas.

Quanto à pressão social sobre a frequência sexual, Sanz destaca que essa expectativa pode causar ansiedade. Morán salienta que a liberdade sexual atual pressiona para um prazer constante, mas tentar normalizá-lo pode torná-lo obrigatório e não autenticamente prazeroso.

“ É possível fortalecer a intimidade no casal melhorando a comunicação, criando uma base sólida para buscar outras formas de intimidade que não sejam apenas o sexo, como criar momentos, surpresas e atividades conjuntas. Em última análise, podemos focar muito nas coisas boas que compartilhamos, sentir essa conexão emocional” sugere Sanz.

“Se em um casal ocorre esse desequilíbrio no desejo, acho que o melhor que podem fazer é aproveitar a oportunidade para revisar por que isso está acontecendo e o que podem fazer juntos. No entanto, eles têm que fazer isso como uma equipe, não como adversários”, conclui.

 


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O Portal do Holanda foi fundado em 14 de novembro de 2005. Primeiramente com uma coluna, que levou o nome de seu fundador, o jornalista Raimundo de Holanda. Depois passou para Blog do Holanda e por último Portal do Holanda. Foi um dos primeiros sítios de internet no Estado do Amazonas. É auditado pelo IVC e ComScore.

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