Mulheres que nasceram sem vagina e útero relatam drama e superação após cirurgia inovadora
Duas mulheres, que nasceram sem vagina e sem útero, passaram por cirurgia plástica chamada de neovagina no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, Portugal. As mulheres decidiram revelar suas identidades, nesta quarta-feira (19), cerca de 20 anos depois que passaram pelo procedimento em Portugal, país pioneiro na cirurgia que constrói uma vagina perineal onde antes não existia.
Andreia Trigo e Joana Freire foram diagnosticadas com Síndrome de Rokitansky, uma condição que afeta uma em cada cinco mil mulheres. Ela submeteram-se a neovagina em 2002, mas decidiram deixar a identidade anônima por causa do preconceito.
"Eu tinha 17 anos, e ainda não tinha menstruado, então fui a ginecologista e a médica tentou colocar um cotonete no meu canal vaginal, mas ele não passava, e assim descobri que não tinha vagina. Eu só queria a minha mãe", contou Joana.
Com a neovagina, elas puderam ter uma vida sexual normal e ainda tivessem a capacidade para menstruar, entretanto a cirurgia não dá a possibilidade de gerar filhos.
"Quando vivemos nessa condição, pensamos que não somos mulheres, que jamais seremos amadas, e não há nada que podemos fazer por ter nascido assim", revelou Andreia.
Hoje Andreia vive no Reino Unido e trabalha na área da fertilidade ajudando outras mulheres a terem filhos, além dar palestras pelo mundo para mulheres que nasceram sem vagina.
Joana seguiu o mesmo caminho e também trabalha na área da fertilidade, mas diferente de Andreia, ela sonha em ser mãe, e pesquisa meio que possibilitem mulheres com Síndrome de Rokitansky a terem filhos.
ASSUNTOS: Mundo