Com textos vazados e imagens de IA, Trump promete não recuar em relação à Groenlândia
Por Michel Rose e Stine Jacobsen
DAVOS, Suíça/COPENHAGUE, 20 Jan (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu na terça-feira que não haverá retrocesso em seu objetivo de controlar a Groenlândia, recusando-se a descartar a possibilidade de tomar a ilha do Ártico à força e atacando aliados enquanto os líderes europeus se esforçam para reagir.
A ambição de Trump -- explicitada em publicações nas redes sociais e em imagens simuladas de IA -- de arrancar a soberania sobre a Groenlândia da Dinamarca, membro da Otan, ameaça destruir a aliança que sustenta a segurança ocidental há décadas.
Também ameaça reacender uma guerra comercial com a Europa que abalou os mercados e as empresas durante meses no ano passado, embora o secretário do Tesouro de Trump, Scott Bessent, tenha se defendido do que chamou de "histeria" em relação à Groenlândia.
"Como expressei a todos, de forma muito clara, a Groenlândia é imperativa para a segurança nacional e mundial. Não há como voltar atrás -- nisso, todos concordam!", disse Trump após falar com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte.
Para transmitir a mensagem, Trump postou uma imagem de si mesmo na Groenlândia, segurando uma bandeira dos EUA. Outra imagem o mostrava falando com líderes ao lado de um mapa que mostrava o Canadá e a Groenlândia como parte dos Estados Unidos.
Separadamente, ele vazou mensagens, incluindo do presidente francês Emmanuel Macron, que questionou o que Trump estava "fazendo na Groenlândia". Trump, que prometeu impor tarifas sobre os países que estivessem em seu caminho, havia ameaçado anteriormente impor uma tarifa de 200% sobre os vinhos e champanhes franceses.
BESSENT REBATE "HISTERIA"
A União Europeia ameaçou revidar com medidas comerciais. Uma opção é um pacote de tarifas sobre 93 bilhões de euros (US$109 bilhões) de importações dos EUA que poderia entrar em vigor automaticamente em 6 de fevereiro, após uma suspensão de seis meses.
Outra opção é o "Instrumento Anticoerção" (ACI), que ainda não foi utilizado. Ele poderia limitar o acesso a licitações públicas, investimentos ou atividades bancárias, ou restringir o comércio de serviços, o setor no qual os EUA têm um superávit com o bloco, incluindo os lucrativos serviços digitais fornecidos pelas gigantes de tecnologia dos EUA.
"Essa não é uma questão sobre o Reino da Dinamarca, mas sobre todo o relacionamento transatlântico", disse a ministra da Economia da Dinamarca, Stephanie Lose, a jornalistas antes de uma reunião de ministros da Economia e Finanças da UE em Bruxelas.
"Neste momento, não acreditamos que nada deva ser descartado. Essa é uma situação séria que, embora nós gostaríamos de desescalar, há outros que estão contribuindo para aumentá-la neste momento e, portanto, teremos que manter todas as opções sobre a mesa à medida que avançamos."
Bessent, à margem da reunião anual do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, disse que será encontrada uma solução que garanta a segurança nacional dos Estados Unidos e da Europa.
"Se passaram 48 horas. Como eu disse, sentem-se e relaxem", afirmou ele. "Estou confiante de que os líderes não vão escalar e que isso vai se resolver de uma maneira que termine em um lugar muito bom para todos."
Perguntado sobre a perspectiva de uma guerra comercial prolongada entre os Estados Unidos e a Europa, Bessent respondeu: "Por que estamos indo para lá? Por que você está levando isso para o pior caso?... Acalmem a histeria. Respirem fundo."
No entanto, em discurso em Davos, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que a série de choques geopolíticos recentes forçará a UE a construir uma nova Europa independente.
"Só poderemos capitalizar essa oportunidade se reconhecermos que essa mudança é permanente", declarou ela.
(Reportagem de Michel Rose, Stine Jacobsen, Terje Solsvik, Francesco Canepa, Emma Farge e Inti Landauro)
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