Da ascensão à queda? A trajetória de Nicolás Maduro
Resumo da Notícia
- Da base sindical ao centro do poder
- Presidência sob pressão
- Isolamento internacional e sanções
- A “captura” de Maduro
Caracas — A trajetória de Nicolás Maduro, do sindicalismo à Presidência da Venezuela, é marcada por lealdade ao chavismo, consolidação de poder e uma crise prolongada que reconfigurou o país. Nos últimos meses, contudo, circulam narrativas sobre uma suposta “captura” do líder venezuelano — versões que exigem rigor factual. Este artigo reconstitui a ascensão de Maduro, examina os fatores de desgaste do regime e esclarece o que se sabe, e o que não se sabe, sobre alegações recentes.
Da base sindical ao centro do poder
Maduro iniciou a vida pública como dirigente sindical no metrô de Caracas. Aproximou-se de Hugo Chávez nos anos 1990 e tornou-se um operador confiável do projeto bolivariano. Após a vitória eleitoral de Chávez, ocupou posições-chave: chanceler (2006–2013) e vice-presidente. A morte de Chávez, em 2013, abriu o caminho para uma sucessão rápida e contestada.
Presidência sob pressão
Eleito por margem estreita, Maduro herdou um Estado altamente dependente do petróleo, já pressionado por controles de preços e câmbio. A queda dos preços do barril, somada a políticas econômicas intervencionistas, precipitou hiperinflação, desabastecimento e êxodo em massa. A resposta política privilegiou a concentração de poder: fortalecimento do Executivo, tensão com o Legislativo e eleições questionadas por parte da comunidade internacional.
Isolamento internacional e sanções
Sanções econômicas e diplomáticas — sobretudo de países ocidentais — aprofundaram o isolamento do governo. Caracas denunciou “cerco externo”; críticos apontaram corrupção, erosão institucional e violações de direitos humanos. Protestos recorrentes, com episódios de repressão, tornaram-se parte do cotidiano político.
A “captura” de Maduro
Na madrugada de 3 de janeiro de 2026, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que Maduro e sua esposa, Cilia Flores, haviam sido capturados por forças estadunidenses durante uma série de ataques militares contra alvos em Caracas e outras regiões da Venezuela. Trump afirmou que acompanhou a operação “ao vivo” e descreveu a ação como altamente organizada, acrescentando que nenhum americano morreu durante a missão. Segundo relatos, ambos — Maduro e Flores — estariam sendo levados aos Estados Unidos para enfrentar acusações federais, incluindo narcoterrorismo, por meio de um processo de extradição que remonta a uma denúncia de 2020.
O anúncio desencadeou reações imediatas: o governo venezuelano denunciou agressão militar e violação da soberania nacional, exigindo “prova de vida” dos detidos; líderes globais lamentaram a escalada e pediram respeito ao direito internacional; e diversas nações expressaram preocupação com o precedente de uma ação militar direta em um Estado soberano.
Isolamento, sanções e desgaste acumulado
Antes da operação, o governo de Maduro já enfrentava longos períodos de sanções econômicas por parte de Washington e de outros países, devido a alegações de corrupção, violação de direitos humanos e práticas antidemocráticas. A economia venezuelana encolheu drasticamente, e o país tornou-se centro de uma das maiores crises sociais e migratórias da região.
O futuro da Venezuela
Com a remoção de Maduro do poder e sua transferência para enfrentar acusações nos Estados Unidos, a Venezuela entra em um período de incerteza institucional e geopolítica. O impacto de uma transição tão abrupta — por meio militar e com governança externa — levanta questões sobre soberania, reconstrução política e a possibilidade de um processo eleitoral legítimo no país.
Conclusão
A trajetória de Nicolás Maduro, desde estreita aliança com Hugo Chávez até uma captura militar controversa, simboliza a amplitude dos desafios enfrentados pela Venezuela ao longo da última década. A forma como o país e a comunidade internacional responderão a essa nova fase ainda está em aberto, mas os eventos de janeiro de 2026 representam um divisor de águas na política venezuelana.
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