Cerimônia de queima das viúvas na Índia é mantida em algumas tribos

Por Portal do Holanda

17/07/2021 8h57 — em Curiosidades

Arte: Liminha / Portal do Holanda

No Século 17 era frequente na Índia a chamada Tradição Sati ou cerimônia de sacrifício das viúvas. Nelas, as viúvas eram queimadas nas piras funerárias dos seus maridos mortos, e as que se recusaram, eram lançadas no fogo para morrer.

Horrorizado com essa prática, conhecida no tempo em que colonizaram aquele país, Charles Napier, comandante das forças britânicas na Índia,  determinou que, se a queima de viúvas era um costume que não podia ser quebrado, como justificaram os indianos, os homens que as queimassem seriam enforcados e teriam seus bens confiscados.

Com o anúncio dessa providência, a multidão se dispersou, os sacerdotes responsáveis pela queima desapareceram rapidamente e as viúvas não foram mais queimadas vivas.

Mas a ordem enfureceu sacerdotes hindus, que reuniram uma grande multidão para protestar contra a interferência em sua religião.

A cerimônia de sacrifício de viúvas do hinduísmo acontecia nas margens dos rios e os ingleses a consideraram repugnante, batizando-a com o nome de "suttee", termo derivado da corruptela da palavra sânscrita Satī ritual em que a viúva atirava-se no fogo da pira funerária de seu marido recém falecido.

Nesse caso, Satī dava o status divino para a viúva, que após se sacrificar na pira funerária, tornava-se uma deusa, passando a proteger, do mundo celestial, os seus familiares após o seu suicídio.

Os hindus praticavam ritual antes da ocupação britânica na Índia e nos textos sânscritos a tradução é “ir com”, “acompanhar” ou “morrer com”.

Quando a morte do marido acontecia no campo de batalha e não era possível cremá-lo junto com a esposa, havia a indicação de queimar algum bem do marido para substituí-lo e em seguida a viúva seria sacrificada.

PRÁTICA CONTINUA

Mas ainda que exista uma legislação proibindo a prática na Índia, o Sati Prevention Act (o Decreto de Prevenção de Sati), de 1987, algumas religiões ainda a mantêm de forma discreta.

Pelos registros feitos pelos colinizadores, o sacrifício era algo indescritível. O missionário francês Abbé Jean-Antoine Dublois, que viveu no sul da Índia de 1792 a 1823, antes da efetiva proibição da prática deste sacrifício em 1829, por Lorde William Bentinck, testemunhou o costume na província de Bengala.

Dubois anotou que ao norte da Índia e nas províncias próximas ao rio Ganges, as mulheres eram frequentemente vistas se oferecendo como vítimas dessa superstição, “entregando-se a uma morte que é tão cruel quanto idiota”.

Alguns historiadores citam registros deste costume entre muitos povos antigos, para dizer que era comum na antiguidade.

E o mais intrigante era quando acontecia com os homens que tinham várias esposas, como Vasudeva, o pai de Krshna, cujas quatro mulheres atiraram-se na pira funerária dele. As cinco esposas de Krshna, também ao saber de sua morte, se lançaram na pira funerária, mantendo viva a tradição secular.


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