Entenda o que é o 'Pacote de Belém' aprovado por 195 países durante a COP30
A Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) foi encerrada neste sábado (22), em Belém (PA), com a aprovação por consenso do Pacote de Belém, conjunto de 29 decisões que orientarão a agenda climática global nos próximos anos. O resultado foi considerado histórico pelos organizadores, que destacaram o clima de cooperação e o simbolismo de o evento ocorrer no coração da Amazônia.
O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, afirmou que o encontro marca “o início de uma década de mudança”. Em seu discurso final, destacou que o espírito de colaboração construído em Belém precisa se estender para além da conferência, influenciando governos, empresas, instituições e comunidades. “O compromisso não termina com o martelo batido”, disse.
Ovacionada de pé na plenária final, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, fez um balanço das negociações, citando avanços importantes apesar da ausência de consenso global sobre um roteiro para eliminação dos combustíveis fósseis. Segundo ela, a proposta ganhou força ao contar com apoio de mais de 80 países e seguirá influenciando o debate internacional. Marina também celebrou o fortalecimento do papel de povos indígenas, comunidades tradicionais e afrodescendentes na agenda climática.
Um dos anúncios mais relevantes foi o lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, criado pelo Brasil para remunerar financeiramente países que comprovarem a preservação de florestas tropicais. O mecanismo, considerado inovador, já mobilizou mais de US$ 6,7 bilhões em sua fase inicial e promete inaugurar um novo modelo de economia baseada na conservação ambiental.
Em coletiva na África do Sul, onde participou da Cúpula do G20, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou os resultados da COP30 como “extraordinários”. O chanceler Mauro Vieira destacou três vitórias centrais: o fortalecimento do multilateralismo climático, o aumento expressivo de recursos para adaptação e a criação de novas estruturas de apoio a países em transição justa. “O multilateralismo saiu vitorioso”, disse Lula.
Entre as decisões, as partes concordaram em triplicar o financiamento para adaptação até 2035, avançar em iniciativas de saúde climática, ampliar ações relacionadas aos oceanos e adotar 59 indicadores voluntários para monitorar os impactos da crise climática em setores como água, agricultura, infraestrutura e ecossistemas. A conferência também reforçou compromissos de inclusão, com participação recorde de povos indígenas e mobilizações sociais.
Encerrando os trabalhos, a presidência da COP30 afirmou que o Brasil seguirá conduzindo a agenda climática internacional até novembro de 2026. A próxima edição da conferência ocorrerá na Austrália, dando sequência às negociações que buscam acelerar a implementação do Acordo de Paris.
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